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Atualizado às: 16 de junho, 2005 - 09h15 GMT (06h15 Brasília)
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Entenda como funcionam as eleições no Irã
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Apatia dos eleitores preocupa as autoridades
Os iranianos vão às urnas na sexta-feira para eleger um novo presidente em meio a temores renovados de um enfrentamento com os Estados Unidos.

Observadores estarão atentos às idéias do novo presidente a respeito da “guerra contra o terrorismo” decretada pelo presidente americano, George W. Bush, e do conflito no Oriente Médio, além de pistas sobre o futuro das reformas no país.

Mas os iranianos comuns parecem pouco impressionados. Há temores de que o nível de abstenção seja superior a 50% pela primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979.

A abstenção alta favoreceria os conservadores, uma vez que são reformistas desiludidos os que mais tendem a ficar em casa, mas a apatia dos eleitores é uma preocupação para qualquer futuro governo.

Leia o texto abaixo para saber mais sobre a eleição iraniana.

A Presidência

O presidente é eleito por quatro anos e pode cumprir até dois mandatos consecutivos. Seu dever é o de assegurar que a Constituição será respeitada.

Após ser aprovado pelo Parlamento, o presidente eleito nas urnas aponta um Conselho de Ministro e coordena seu trabalho. É ele quem decide que políticas do governo serão submetidas ao Parlamento.

Mas a Presidência não é o cargo mais importante na hierarquia de poder iraniana. O líder supremo, atualmente o aiatolá Ali Khamenei, possui mais poderes.

Ele é o comandante supremo das Forças Armadas e tem a palavra final em assuntos políticos.

Reformistas x conservadores

Oito candidatos concorrem à Presidência. Eles refletem as divisões políticas do país.

O ex-presidente Akbar Hashemi-Rafsanjani é tido como um pragmático capaz de atrair votos dos dois lados do espectro político.

Os candidatos considerados conservadores são o ex-radialista Ali Larijani, o ex-chefe da polícia Mohammad Baqer Qalibaf, o ex-comandante da Guarda Revolucionária Mohsen Rezai e o prefeito de Teerã, Mahmud Ahmadinezhad.

O ex-ministro da Educação Mostafa Moin, o ex-presidente do Parlamento Mehdi Karrubi e o atual vice-presidente para os Esportes, Mohsen Mehralizadeh, são considerados reformistas.

Veto

Só podem concorrer nas eleições os candidatos aprovados por um órgão supervisor conhecido como Conselho dos Guardiões.

Mais de mil pessoas se registraram para o atual pleito, incluindo 93 mulheres, mas o conselho decidiu que apenas seis, todos homens, poderiam concorrer.

Outros dois – Mehralizadeh e Moin – foram autorizados posteriormente, depois de uma intervenção de Khamenei.

O sistema eleitoral

Um candidato precisa ganhar 50% dos votos para vencer a eleição no primeiro turno. Caso contrário, haverá um segundo turno entre os dois candidatos mais votados no dia 1º de julho.

Analistas acreditam que Rafsanjani está na dianteira, embora ele talvez não consiga votos suficientes para vencer logo no primeiro escrutínio.

O principal candidato reformista é Mostafa Moin, e acredita-se que ele pode ter um bom desempenho, se o nível de comparecimento for elevado.

Podem votar os cidadãos iranianos com mais de 15 anos de idade.

Partidos

Partidos que contam grande apoio popular ainda não são encontrados no Irã. Os partidos políticos em geral são descritos como “associações de pessoas que pensam do mesmo jeito”.

Os candidatos em geral não se apresentam como representantes de alguma agremiação política. Mas eles tentam conseguir o apoio do maior número possível de grupos.

Rafsanjani conseguiu o apoio de partidos políticos formados por ex-membros do governo durante seu mandato como presidente.

Moin, por sua vez, é apoiado pelo principal partido reformista, a Frente de Participação do Irã Islâmico.

Já Larijani tem o apoio de tradicionais grupos conservadores, como o Partido da Coalizão Islâmica e a Associação dos Bazares.

Oposição

O Movimento pela Liberdade do Irã é o que existe de mais parecido com um partido de oposição no país.

Seu antigo líder, Mehdi Bazargan, foi o primeiro primeiro-ministro da República Islâmica. Mas o movimento perdeu as graças do poder e mal é tolerado hoje em dia.

O atual líder, Ebrahim Yazdi, foi impedido de participar das eleições.

Entre as exigências do grupo estão a libertação de todos os prisioneiros políticos, o fim do veto sobre vários jornais e o desmonte do Conselho de Guardiões.

Observadores

O Conselho de Guardiões afirma que tem a capacidade de promover eleições limpas e justas e por isso não há necessidade de observadores estrangeiros no país.

O controle total exercido pelo órgão é o principal motivo por trás de criticas feitas por entidades de defesa dos direitos humanos, que dizem que a eleição não poderá ser nem livre nem justa.

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