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Irã apela para desenho animado contra apatia eleitoral | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A TV iraniana apelou para os desenhos animados para tentar incentivar as pessoas a votarem nas eleições de 17 de junho. Um dos desenhos traz um agricultor que rega um terreno árido com lágrimas e depois planta uma semente, que brota. Em seguida, ele vai depositar seu voto em uma urna. A mensagem é de que votar equivale a plantar uma semente para o futuro do país. A Haftnameh, empresa que está produzindo os desenhos, afirma que o objetivo é valer-se do gosto dos iranianos por animações para incitá-los a votar. Um outro anúncio de TV mostra o aitatolá Khomeini votando em uma das primeiras eleições após a Revolução Islâmica de 1979. As imagens de Khomeini são acompanhadas de cenas das multidões entusiasmadas que derrubaram o xá Reza Pahlevi. A mensagem é clara: os iranianos têm que mostrar seu apoio à revolução por meio do voto. Popularidade “O tema do comparecimento às urnas tem sido uma referência para avaliar a popularidade do regime”, diz o jornalista Shirzad Bozorgmehr, editor do Iranian News. Na posição em que o governo se encontra hoje, se muita gente não for às urnas, vai começar a haver suspeitas sobre a sua legitimidade”, diz Bozorgmehr. “Então eles estão fazendo de tudo para motivar as pessoas a votar, apesar da apatia geral que pervade o país.” Um esforço especial tem sido feito para atrair os jovens do país. Metade da população tem menos de 25 anos de idade. Centenas de crianças participaram recentemente de uma eleição simulada em uma escola no sul de Teerã. Como a idade mínima para votar no Irã é de 15 anos, muitos dos participantes já vão poder depositar seu voto neste ano, enquanto os outros deveriam voltar para casa e encorajar seus pais a seguir o exemplo. “Queremos um presidente que preste atenção na dor das pessoas, e não alguém que só fala e não toma medidas efetivas – o que não adianta para ninguém”, disse o estudante Ali Reza, de 15 anos. Ali fez o papel, durante a eleição simulada, de um dos candidatos e expôs qual seria sua forma de governar. “Se alguém tentar me parar, vou tentar convecê-lo com meu comportamento, mas, se eles não se convencerem e tentarem me parar, eu vou partir para cima”, disse ele. Promessas não cumpridas O jovem pode ter um pouco mais o que aprender sobre como ganhar os corações e as mentes do eleitorado, mas a eleição simulada ensinou algo às crianças. A questão é se este tipo de esforço vai aumentar o comparecimento dos eleitores durante a eleição para valer. “Eu não vou votar porque nenhum dos presidentes que foram eleitos no passado cumpriu suas promessas”, disse um homem de meia idade que estava fazendo compras no mercado de Tajrish, no norte de Teerã. “Slogans vazios não resolvem os problemas das pessoas. Um dos candidatos tem um slogan que diz ‘Eu vou trazer uma lufada de ar fresco’. Qual é a utilidade disso? Isso não vai nos alimentar.” Uma mulher de meia idade no mesmo lugar disse que não está de forma alguma preocupada com a eleição. “Eu não vou votar nas eleições porque eu não acredito em nenhum deles.” Trata-se de uma atmosfera diferente da das duas últimas eleições, ambas vencidas pelo presidente Mohammad Khatami, nas quais o nível de abstenção foi baixo. Agora prevalece um sentimento de que os reformistas fracassaram no cumprimento de suas promessas. Junte-se a isso o fato de que centenas de possíveis candidatos foram proibidos de participar do pleito, o que causou muita frustração. Mas nem todo mundo está nessa situação. “Eu não me importo com o que as pessoas dizem”, afirma uma garota. “Sou iraniana e é meu dever participar das eleições.” |
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