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Arábicas: Derrota síria no Líbano é maior do que parece | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A derrota dos sírios nas eleições libanesas vai bem além das 72 cadeiras – de um total de 128 – conquistadas pela bloco da oposição anti-Síria, liderado por Saad Hariri. Ele é filho do ex-primeiro ministro Rafik Hariri, que já foi muito próximo da Síria mas estava se afastando dos aliados nos meses que antecederam o atentado a bomba que o matou, em fevereiro. Os grupos xiitas Hizbollah e Amal – aliados tradicionais de Damasco – elegeram 35 parlamentares mas numa aliança parcial com grupos anti-Síria, o que deve reduzir a capacidade deles de defender os interesses do governo de Bashar al-Assad. E além de tudo, o grupo classificado de pró-Síria nestas eleições (21 parlamentares eleitos) tem como líder o político que – até há poucas semanas – era o mais antigo e consistente inimigo de Damasco: o ex-general e ex-presidente Michel Aoun. Guerra Civil Quando em 1989 quase todas as facções políticas e religiosas libanesas concordaram em aceitar a intervenção militar da Síria, para acabar com a guerra civil, a exceção foi o então presidente cristão Aoun. Ele se opôs frontalmente ao acordo e declarou guerra às forças sírias. A guerra civil acabou oficialmente quando os sírios tiraram Aoun do palácio presidencial em 1990. O presidente deposto buscou refúgio, com homens e armas, em sua fortaleza no enclave cristão de Baalba, um distrito em Beirute Ocidental e, no mesmo ano, acabou bombardeado pelos sírios e teve que fugir. “O general se rendeu quase imediatamente, fugindo para a residência do embaixador da França e ordenando que suas tropas depusessem as armas”, descreve o jornalista britânico Robert Fisk no livro “Pity the Nation”, um dos mais detalhados relatos da guerra civil já publicados. “(Enquanto Aoun buscava refúgio) Tropas sírias cruzaram o front em direção a Beirute Ocidental, acompanhadas das unidades libanesas comandadas pelo general Emile Lahoude”, relata Fisk. Mas quando Aoun voltou neste ano de seu longo exílio em Paris, ele não conseguiu fechar alianças com os sunitas de Rafik Hariri nem com os drusos de Walid Jumblat, que estavam liderando o campo anti-Síria. O ex-general acabou se aliando nestas eleições ao presidente pró-Síria Emile Lahoude, o mesmo que o bombardeou 15 anos atrás. Quanto tempo vai durar esta aliança – que em discursos já está sendo rechaçada por partidários de Aoun – ninguém sabe. Xiitas A Síria ainda pode contar com um pouco mais de lealdade do lado dos grupos xiitas, principalmente do Hizbollah. Mas mesmo esta aliança ficou sob pressão depois que os xiitas se entenderam com os drusos nestas eleições. O Hizbollah durante muitos anos dependeu dos sírios para sua manutenção mas atualmente o grupo conseguiu se tornar um dos principais partidos políticos do Líbano - além de uma bem armada milícia – e não depende mais exclusivamente da Síria para sobreviver. Em breve, o novo Parlamento e governo libaneses devem iniciar uma barragem de medidas para tentar anular o peso da Síria no país. De que os Sírios estão perdendo poder, ninguém duvida. A questão é quem vai ocupá-lo. |
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