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Atualizado às: 02 de junho, 2005 - 19h08 GMT (16h08 Brasília)
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Arábicas: Oposição árabe dispensa ajuda americana

protesto no Cairo contra forma de realização do plebiscito sobre reformas eleitorais
Plebiscito sobre reformas eleitorais provocou protestos no Egito
Os sinais de mudanças políticas no Oriente Médio não são poucos. Os protestos contra o governo e o ensaio de abertura política no Egito, inéditas eleições municipais na Arábia Saudita e retirada das tropas sírias do Líbano depois de enormes manifestações em Beirute, são apenas alguns exemplos mais claros de um clima que se sente na rua nos países árabes.

Nos Estados Unidos, o governo comemora os “ventos democráticos” na região que, segundo avaliações de dentro e de fora do governo Bush, têm tudo a ver com as recentes ações e posições americanas.

Mas, entre os oposicionistas árabes, a idéia de que a ventania tem origem nos Estados Unidos e que os americanos são o exemplo a ser seguido no caminho da mudança tem popularidade muito baixa.

"Há mais de 20 anos venho lutando por democracia no Egito enfrentando um governo que tem o apoio dos Estados Unidos. Agora vem o presidente George W. Bush aparecer na televisão dizer que são os esforços dos americanos que estão trazendo democracia. Não aceito isso", me disse o líder de um partido da oposição egípcia depois que o presidente Hosni Mubarak pediu ao Parlamento a aprovação uma emenda consitucional abrindo as eleições para outros candidatos.

"A pressão dos Estados Unidos não ajuda em nada. Ela só faz com que a repressão aqui dentro aumente ainda mais", disse semanas depois um oposicionista na Síria, país com um dos regimes mais fechados da região e que está no alto da lista de atuais inimigos dos Estados Unidos.

Rei

Poucos anos atrás, conversei com um jovem marroquino que depositava suas grandes esperanças de mudança em seu país na juventude do novo rei, Mohamed 6º. "Ele é jovem, gosta de surfe e entende a gente. O pai dele era velho e já não entendia do que precisamos."

Perguntei se ele não sentia falta de votar para escolher os líderes de seu país. "Você não está entendendo. Aqui a gente não precisa votar porque a gente tem rei. Nos Estados Unidos eles não têm um rei. É diferente."

Na casa em que o jovem funcionário público morava com os pais, num bairro de classe média alta de Casablanca, figurava em destaque um pôster de Osama Bin Laden.

O que os árabes vêem acontecendo no Iraque e o apoio aberto dos Estados Unidos a Israel não contribuem nem um pouco para melhorar a imagem dos americanos por aqui ou convencer a opinião pública a seguir o Ocidente no caminho da mudança.

Mais do que as antigas críticas à "decadência cultural" ou à uma noção mais geral de imperialismo – temas ainda populares nos discursos de alguns líderes políticos e religiosos da região – é o modo como os americanos estão lidando com a atual situação política e militar no Oriente Médio que alimenta o antiamericanismo árabe.

Nas mesas do grandes planejadores políticos do Ocidente, certamente há dezenas de cenários e previsões a respeito do futuro do Oriente Médio. Talvez falte, como diria Garrincha, combinar o jogo com o outro lado.

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