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Atualizado às: 15 de junho, 2004 - 02h29 GMT (23h29 Brasília)
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Ex-integrantes do governo atacam política externa de Bush
George W. Bush
A declaração poderá pesar contra campanha eleitoral de Bush
Um grupo de ex-integrantes do alto escalão do governo americano vai divulgar, ainda nesta semana, uma declaração condenando a política externa do presidente George W. Bush.

O grupo, autodenominado Diplomatas e Comandantes Militares pela Mudança, afirma que a política de Bush tornou os Estados Unidos mais isolados e menos seguros, e prejudicou sua posição no mundo.

O correspondente da BBC em Washington, Jon Leyne, disse que ex-integrantes do governo criticaram Bush no passado, mas desta vez os críticos são particularmente respeitados.

Entre eles está William Crowe, chefe do Estado Maior das Forças Armadas, e o almirante Stansfield Turner, um ex-diretor da CIA (serviço secreto americano).

A declaração se segue às críticas feitas no mês passado por 53 ex-diplomatas que acusaram a administração de minar a credibilidade dos Estados Unidos no mundo árabe, com seu forte apoio ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.

O governo britânico também foi criticado, quando 52 ex-funcionários públicos atacaram o apoio que o primeiro-ministro Tony Blair deu a Washington na guerra do Iraque, e no conflito entre israelenses e palestinos.

Mundo perigoso

Os signatários da declaração afirmam crer que a administração Bush tornou o mundo mais instável e perigoso.

"Muita gente sentiu que o trabalho que fez durante a vida toda, de tentar criar uma situação em que os Estados Unidos são respeitados e podem liderar o resto do mundo, agora foi minado por esta administração - pela arrogância, pela recusa em ouvir outros, pelo desprezo por organizações multilaterais", disse William Harrop, embaixador dos Estados Unidos em Israel no governo do presidente George Bush (pai do atual chefe de Estado americano), ao jornal The Los Angeles Times.

Os signatários da declaração também atacaram a política americana para o Iraque, dizendo que todas as premissas feitas pela administração antes da invasão se provaram erradas.

O grupo é composto por democratas e republicanos.

Críticos notórios do governo foram excluídos.

Mas vários dos signatários disseram, individualmente, que vão apoiar o democrata John Kerry na disputa pela Casa Branca nas eleições de novembro.

Outros afirmaram que a declaração é, na verdade, um pedido para que o presidente deixe a Casa Branca. Bush é candidato à reeleição.

Mas partidários do governo Bush dizem que os ex-integrantes do governo estão simplesmente tentando esconder a inadequação de suas próprias políticas.

Cliff May, presidente da Fundação para a Defesa das Democracias, de tendência conservadora, disse ao The Los Angeles Times que a declaração parece ser de pessoas que não reconhecem a importância dos ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos.

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