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Atualizado às: 10 de junho, 2004 - 16h11 GMT (13h11 Brasília)
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Empresas dos EUA processadas por abusos no Iraque
Prisioneiros em Abu Ghraib, no Iraque (Foto: AP, New Yorker)
As empresas negam envolvimento no abuso de prisioneiros
Duas empresas americanas contratadas para ajudar no interrogatório de prisioneiros iraquianos foram processadas por supostamente conspirar para abusar de detidos com o objetivo de obter lucros.

A ação judicial, em favor de nove iraquianos, busca indenização e pede que as empresas sejam proibidas, no futuro, de obter contratos do governo.

As empresas, Titan e CACI International, negam as acusações. A Titan qualificou a ação como "frívola" e a CACI disse que o processo é "irresponsável e ultrajante".

"A Titan nunca teve controle sobre os prisioneiros ou sobre o tratamento dado a eles", disse o porta-voz da Titan, Wil Williams.

Na ação, alega-se que funcionários da CACI e da Titan conspiraram para torturar prisioneiros com a finalidade de extrair mais informações deles, aumentando assim a chance de as firmas obterem mais contratos governamentais.

Alegações de tortura

"Nós acreditamos que a CACI e a Titan se envolveram em uma conspiração para torturar e abusar de detidos e fizeram isso para ganhar mais dinheiro", disse Susan Burke, advogada de direitos humanos que ajudou a iniciar a ação judicial.

A Titan, sediada em San Diego, Califórnia, e a CACI, em Arlington, Virgínia, são acusadas de violar legislação formulada originalmente para combater o crime organizado.

A ação, iniciada em San Diego, dá detalhes de novas alegações de graves abusos de prisioneiros. Um iraquiano alega que foi forçado a ficar olhando enquanto seu pai foi torturado com tanta intensidade que acabou morrendo.

A ação não identifica um funcionário específico da Titan ou da CACI como perpetradores dos abusos.

As acusações devem levar a nova controvérsia sobre o papel de empresas civis contratadas para trabalhar em nome das forças de coalizão no Iraque.

Um aumento no número de firmas contratadas com tarefas militares no Iraque suscitou preocupação de que algumas delas não são reguladas com o rigor necessário.

A ação contra a CACI e a Titan é a tentativa mais notória até o momento de responsabilizar agentes privados por supostas irregularidades na atuação no Iraque.

As alegações também podem despertar temores sobre o abuso de prisioneiros iraquianos, intensificadas com a divulgação, há dois meses, de uma série de fotos tiradas na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá.

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