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Vídeos e fotos detalham mais maus-tratos no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A imprensa dos Estados Unidos traz nesta sexta-feira mais detalhes sobre o abuso de presos iraquianos por soldados americanos na cadeia de Abu Ghraib, em Bagdá, com novas imagens da violência sofrida pelos prisioneiros. O jornal Washington Post diz ter visto centenas de vídeos e fotos que mostram tipos de abusos não vistos previamente. Em declarações sob juramento, prisioneiros disseram ter apanhado, terem sido humilhados sexualmente e obrigados a comer carne de porco e tomar bebidas alcoólicas - o que é proibido por sua religião. As revelação surgem no mesmo dia em que os Estados Unidos libertaram mais 472 prisioneiros de Abu Ghraib. Algemados Entre as novas fotos está uma de um prisioneiro sendo ameaçado por um soldado com um cachorro. Outra mostra um prisioneiro nu e que, aparentemente coberto por excrementos, é obrigado a desfilar em um corredor. Há também uma imagem de um preso encapuzado, aparentemente desmaiado e apoiado em grades. Uma delas mostra ainda um soldado americano batendo em prisioneiros espalhados pelo chão. O Washington Post descreve também um trecho de um vídeo que mostra um detento acorrentado a uma porta. Ele bate repetidamente com a cabeça no metal, deixando rastros de sangue antes de desmaiar aos pés do cinegrafista. Conflitos No Iraque, nesta sexta-feira, seis ônibus com iraquianos saíram dos portões da prisão de Abu Ghraib. Na cidade sagrada de Karbala, soldados americanos tiveram novos confrontos com rebeldes leais ao clérigo xiita radical Moqtada Al-Sadr, durante os quais várias pessoas morreram, inclusive um funcionário da rede de TV árabe Al-Jazeera, segundo fontes locais. Os militares americanos prenderam dezenas de seguidores de Al-Sadr na cidade de Kirkuk, no norte do Iraque, segundo disse um policial iraquiano à agência de notícias AFP. Na cidade de Baquba, ao norte de Bagdá, quatro iraquianos das forças de segurança foram mortos quando atiradores abriram fogo em uma barreira policial. O jornalista espanhol Fran Sevilha foi feito refém pelos rebeldes de Al-Sadr, segundo uma rádio da Espanha. 'Tortura' O correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, diz que as fotos publicadas pelo Washington Post não ajudam na busca dos responsáveis pelos abusos. No entanto, ele acredita que as fotos vão contribuir em muito para piorar o sentimento em Washington sobre a condução da guerra e o seu futuro. Nos relatos que acompanham as fotos, diversos prisioneiros iraquianos dão detalhes dos abusos sofridos em mãos de soldados americanos. Um dos prisioneiros, Ameen Saeed Al-Sheik, contou que um soldado lhe perguntou se acreditava em alguma coisa. "Eu disse a ele, 'Acredito em Alá'. Então ele disse, 'Eu acredito em tortura e vou torturar você'". Al-Sheik disse que um soldado bateu em sua perna quebrada e mandou ele maldissesse o islamismo. "Como eles começaram a bater na minha perna quebrada, eu maldisse minha religião", disse ele, segundo o jornal. "Eles me mandaram agradecer a Jesus por estar vivo." Outros presos disseram ter tido suas roupas arrancadas na chegada à prisão, obrigados a usar roupa de baixo de mulher e foram repetidamente humiliados, uns na frente dos outros e em frente a soldados americanos. Corte marcial O Washington Post diz que oito dos prisioneiros identificaram o soldado Charles Graner, que está sendo acusado por maus-tratos, atos indecentes e obstrução de Justiça. Um dos prisioneiros acusou Graner de ter freqüentemente atirado as refeições dos presos em vasos sanitários, e dizer, "coma". Grainer disse anteriormente que estava cumprindo ordens recebidas de oficiais militares de inteligência. O jornal conta ter tentado entrar em contato com o advogado de Graner, mas que não recebeu resposta. Graner é um dos sete soldados americanos que estão sendo julgados por abusos contra prisioneiros em Abu Ghraib. Um deles, Jeremy Sivits, já se declarou culpado por quatro acusações em uma corte marcial, incluindo maus-tratos a prisioneiros. Ele foi sentenciado a um ano de prisão e desligado do Exército. Depois do escândalo dos abusos em Abu Ghraib, novas dúvidas foram levantadas em relação ao tratamento de presos mantidos pelos Estados Unidos na Baía de Guantánamo, em Cuba. |
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