|
Resolução é só o início do caminho para o Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o Iraque confere aprovação internacional ao plano de transferência de soberania, mas não significa uma solução para os problemas iraquianos. A transferência de poder a um governo interino é apenas uma de várias etapas pelas quais o Iraque precisa passar antes da posse de uma administração totalmente eleita em 31 de dezembro de 2005. Este é o começo, e não o fim. Certamente a resolução vai aliviar um pouco a pressão existente sobre o presidente americano, George W. Bush, e o premiê britânico, Tony Blair. Ambos poderão agora argumentar que a ocupação está formalmente terminando e que as tropas continuam no país a pedido do governo interino e sob a autoridade das Nações Unidas. Longo caminho Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha esperam que um dia os seus críticos se envergonhem da posição que assumiram. Esperam olhar para trás e ver o dia 30 de junho, data marcada para a transferência de soberania, como um momento importante de mudança. Mas o Iraque ainda tem um longo caminho pela frente. Toby Dodge, da Universidade de Warwick, um crítico da posição americana e britânica sobre o Iraque disse: "Não creio que atingimos uma nova etapa com essa resolução. Não há aqui um multilateralismo. A França e a Rússia continuam sem fazer nada. Eles apenas deram a sua aceitação". E prosseguiu: "Não vejo diferença com relação ao que havia antes. O governo interino se parece com o Conselho de Governo e sofrerá os mesmos problemas, a falta de legitimidade e as dificuldades de oferecer serviços". Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores britânico, Jack Straw, aparentando estar mais relaxado na Câmara dos Comuns que em outras ocasiões, declarou: "Acredito que o resultado é competente e profissional. O governo (interino) representa uma base ampla e é aceitável pelo mais amplo leque de iraquianos, representando a diversidade iraquiana." "Haverá tempos difíceis pela frente, mas o caminho rumo a um Iraque democrático e livre agora está aberta." Segurança Straw admitiu, entratanto, que estabelecer a lei e a ordem no país será um grande problema. "O maior desafio que o novo governo enfrentará será criar segurança", disse ele.
Vale notar como a palavra "interino", sempre usada antes para descrever a nova administração, começa a ser dispensada pelos líderes ocidentais à medida que tentam aumentar o seu status. Então por que este é só o começo? Porque o governo interino só vai durar até as eleições no fim de janeiro de 2005. Essas eleições serão um teste melhor sobre os rumos que as coisas vão tomar. Embora tecnicamente soberano, o governo interino na prática não pode fazer muita coisa, parcialmente porque a maioria xiita não queria que ele fosse capaz de tomar decisões antes da instauração de um governo eleito. O governo interino terá dificuldades para enfrentar a insurgência e dependerá de tropas estrangeiras enquanto forma as suas próprias forças. Ele não terá um veto formal sobre as forças internacionais, mas como a coalizão deve obter sua concordância sobre a política de segurança, nada parecido com o que houve em Falluja deve ocorrer novamente. A outra tarefa principal do governo interino será preparar as eleições, depois das quais ele será dissolvido. As eleições em janeiro vão escolher membros para uma Assembléia Nacional. Esta, por sua vez, apontará um governo de transição. O governo de transição terá mais poder e se ocupará em formular uma Constituição, que servirá como base para eleições gerais em dezembro de 2005. Com isso, um governo propriamente dito poderia assumir até 31 de dezembro de 2005. O final do ano que vem será, assim, o momento do principal teste para o país. Pode-se ver, portanto, que o governo interino é uma plataforma no meio do caminho, e não o destino final. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||