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Construção civil deve ser o foco, diz Fishlow | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia, em Nova York, Albert Fishlow, diz que resolver o problema do desemprego no longo prazo envolve uma reestruturação do trabalho - e uma reorientação da força de trabalho - no Brasil. Mas Fishlow diz que, entre as principais medidas que deveriam ser tomadas rapidamente para reduzir o índice de desemprego no Brasil, deveria estar uma atenção especial à construção civil. "O setor da construção civil é um grande fornecedor de empregos, principalmente para aqueles trabalhadores que não têm muita qualificação e estão sendo excluídos pela sofisticação do mercado de trabalho", diz Fishlow. "No ano passado, o investimento no setor da construção caiu 8% no Brasil, e esse é um dado muito sério porque trata-se de um atividade que cria empregos em diversos outros setores", diz. Investimento público Mas o economista diz que o modelo de investimento na construção civil não pode ser o mesmo adotado nos anos 70, quando grande obras e gastos públicos alimentaram em parte o chamado "milagre econômico" brasileiro. "A solução antiga, que foi o gasto público, não serve mais hoje por uma razão simples: provoca inflação. Mesmo nos anos 70 esse efeito foi sentido, quando a inflação fechou a década em mais de 50% ao ano e depois continuou subindo por muitos anos, como os brasileiros bem sabem." A solução contemporânea, diz o economista, é criar condições para que o setor privado faça ele mesmo os investimentos. "As leis têm de ser alteradas para permitir que haja prazos maiores nos créditos para a construção civil", diz. "Hoje no Brasil esses empréstimos são de cinco anos, enquanto em outros países a gente vê empréstimos com prazos de 20 ou de 30 anos." Paciência Fishlow observa que o Brasil está em um momento muito delicado, porque tem de manter políticas para controlar a inflação que acabam prejudicando o crescimento. "Mas o país está conseguindo manter uma trajetória de estabilização econômica, que vai permitir uma queda nos juros, e, no longo prazo, permitir a volta do crescimento." O economista elogia o que foi apresentado até agora pelo governo Lula e diz que o país precisa ter mais "paciência". "Há muita pressão no governo por soluções imediatas, mas isso não acontece assim. Um pouco de paciência é uma coisa necessária, porque o problema do emprego tem de ser resolvido no longo prazo", diz. Educação Para que no longo prazo haja uma solução consistente e duradoura, Fishlow diz que o Brasil ainda tem muito o que investir na educação. "É muito bom que o Brasil tenha conseguido colocar quase 100% de suas crianças nas escolas primárias. Mas a qualidade dessa educação ainda tem de ser melhorada muito", diz. "O Brasil continua a gastar demais com educação superior e não o suficiente com educação primária e secundária." Leia no Dossiê Desemprego: |
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