BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às:
Envie por e-mailVersão para impressão
Lula está no caminho certo, diz Banco Mundial

Mark Thomas, economista sênior do Banco Mundial
Thomas, do Banco Mundial, elogia condução da economia no Brasil
As chances de as políticas do governo Lula reduzirem o desemprego "são boas", segundo Mark Thomas, economista-sênior para o Brasil do Banco Mundial (Bird). Na sua avaliação, a gestão macroeconômica tem sido de "primeira classe" e ele recomenda que as reformas avancem para sustentar o crescimento da economia, estimulando os investimentos em infra-estrutura. Para Thomas, avanços nas negociações para remover entraves no mercado de trabalho, na aprovação da lei de falências, o projeto das parcerias público-privadas (PPP), nas agências reguladoras e no modelo para o setor energético são mais importantes para o crescimento do que a queda de um ponto percentual nas taxas de juros.

A seguir, a entrevista de Thomas à BBC Brasil:

BBC Brasil - Que influências um governo pode ter na criação de emprego?

Mark Thomas - O governo influencia o emprego de pelo menos quatro maneiras. Em primeiro lugar, cria o marco macroeconômico em que a economia cria emprego. A importância desse papel não deve ser subestimada. Crises e recessões destróem milhares de empregos que são recuperados só ao longo do tempo. Em segundo, o governo cria estabilidade microeconômica. O que quer dizer, por exemplo, na aplicação de regras pelas agências reguladoras ou pelo setor jurídico. Em terceiro, eu destacaria também que o governo é responsável também pelo marco regulatório em que se enquadra o contrato de emprego. E só em quarto lugar vêm programas de criação de emprego, que podem também ajudar, mas que não vão substituir essas três outras categorias. Como é sabido, o governo (brasileiro) está atuando em cada uma dessas quatro áreas. E a criação de emprego vai ser resultado do grau de sucesso combinado em todas as quatro.

BBC Brasil - Quais as chances de as políticas do governo Lula reduzirem o desemprego?

Thomas – As chances são boas. Em primeiro lugar, as bases estão presentes. A gestão econômica tem sido de primeira classe e tem sido reconhecida pelos mercados financeiros e pelos investidores. A economia vai crescer em 2004 e isso vai gerar emprego. Agora, para sustentar esse crescimento, a economia precisa de mais progresso para atrair investimentos, sobretudo doméstico, principalmente na área de infra-estrutura. E aqui o governo tem um programa que merece o nosso apoio. Por exemplo, as novas leis sobre as PPP (Parcerias do Setor Público e Privado), a nova lei de falências. São importantíssimas nesse contexto. Em terceiro, o governo quer abordar os entraves no próprio mercado de trabalho, mas obviamente isso deve ser uma negociação mais longa com a sociedade brasileira. E isso vai precisar de um certo tempo para dar frutos.

BBC Brasil – Há medidas que podem ser adotadas para reforçar essa tendência que o senhor diz que já está começando?

Thomas - Não posso dar um receituário. Mas posso dizer que os resultados de progresso em todas as categorias que mencionei vêm não só a longo prazo, mas também a curto prazo. Os investidores observam essas reformas e reagem. Isso é bom para o Brasil, porque quer dizer que alguns dos sintomas das ações políticas do governo são imediatas. Isso significa que a aprovação legislativa nessas áreas, como a lei de falências, as PPP, as agências reguladoras e o modelo para o setor energético é importante.

BBC Brasil - Existe um debate sobre a política econômica no Brasil e há muitas críticas, inclusive a de que o erro está na origem, na política macroeconmica. Qual sua opinião nesse debate?

Thomas - A política monetária tem sido uma parte-chave da gestão macroeconômica que eu mencionei. Segundo a experiência internacional, um sistema de metas de inflação como o Banco Central está usando é um bom meio de gestão macroeconômica. Mas acho também que a agenda institucional que descrevi é primordial. A queda de um ponto percentual na taxa Selic é muito menos importante do que a lista de reformas que mencionei. A aceleração de maneira artificial da queda da taxa Selic só gera percepção de risco de inflação. Não vai gerar crescimento, emprego e eqüidade. A inflação é o pior imposto para os pobres.

Leia no Dossiê Desemprego:


ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade