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Lula está no caminho certo, diz Banco Mundial | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As chances de as políticas do governo Lula reduzirem o desemprego "são boas", segundo Mark Thomas, economista-sênior para o Brasil do Banco Mundial (Bird). Na sua avaliação, a gestão macroeconômica tem sido de "primeira classe" e ele recomenda que as reformas avancem para sustentar o crescimento da economia, estimulando os investimentos em infra-estrutura. Para Thomas, avanços nas negociações para remover entraves no mercado de trabalho, na aprovação da lei de falências, o projeto das parcerias público-privadas (PPP), nas agências reguladoras e no modelo para o setor energético são mais importantes para o crescimento do que a queda de um ponto percentual nas taxas de juros. A seguir, a entrevista de Thomas à BBC Brasil: BBC Brasil - Que influências um governo pode ter na criação de emprego? Mark Thomas - O governo influencia o emprego de pelo menos quatro maneiras. Em primeiro lugar, cria o marco macroeconômico em que a economia cria emprego. A importância desse papel não deve ser subestimada. Crises e recessões destróem milhares de empregos que são recuperados só ao longo do tempo. Em segundo, o governo cria estabilidade microeconômica. O que quer dizer, por exemplo, na aplicação de regras pelas agências reguladoras ou pelo setor jurídico. Em terceiro, eu destacaria também que o governo é responsável também pelo marco regulatório em que se enquadra o contrato de emprego. E só em quarto lugar vêm programas de criação de emprego, que podem também ajudar, mas que não vão substituir essas três outras categorias. Como é sabido, o governo (brasileiro) está atuando em cada uma dessas quatro áreas. E a criação de emprego vai ser resultado do grau de sucesso combinado em todas as quatro. BBC Brasil - Quais as chances de as políticas do governo Lula reduzirem o desemprego? Thomas – As chances são boas. Em primeiro lugar, as bases estão presentes. A gestão econômica tem sido de primeira classe e tem sido reconhecida pelos mercados financeiros e pelos investidores. A economia vai crescer em 2004 e isso vai gerar emprego. Agora, para sustentar esse crescimento, a economia precisa de mais progresso para atrair investimentos, sobretudo doméstico, principalmente na área de infra-estrutura. E aqui o governo tem um programa que merece o nosso apoio. Por exemplo, as novas leis sobre as PPP (Parcerias do Setor Público e Privado), a nova lei de falências. São importantíssimas nesse contexto. Em terceiro, o governo quer abordar os entraves no próprio mercado de trabalho, mas obviamente isso deve ser uma negociação mais longa com a sociedade brasileira. E isso vai precisar de um certo tempo para dar frutos. BBC Brasil – Há medidas que podem ser adotadas para reforçar essa tendência que o senhor diz que já está começando? Thomas - Não posso dar um receituário. Mas posso dizer que os resultados de progresso em todas as categorias que mencionei vêm não só a longo prazo, mas também a curto prazo. Os investidores observam essas reformas e reagem. Isso é bom para o Brasil, porque quer dizer que alguns dos sintomas das ações políticas do governo são imediatas. Isso significa que a aprovação legislativa nessas áreas, como a lei de falências, as PPP, as agências reguladoras e o modelo para o setor energético é importante. BBC Brasil - Existe um debate sobre a política econômica no Brasil e há muitas críticas, inclusive a de que o erro está na origem, na política macroeconmica. Qual sua opinião nesse debate? Thomas - A política monetária tem sido uma parte-chave da gestão macroeconômica que eu mencionei. Segundo a experiência internacional, um sistema de metas de inflação como o Banco Central está usando é um bom meio de gestão macroeconômica. Mas acho também que a agenda institucional que descrevi é primordial. A queda de um ponto percentual na taxa Selic é muito menos importante do que a lista de reformas que mencionei. A aceleração de maneira artificial da queda da taxa Selic só gera percepção de risco de inflação. Não vai gerar crescimento, emprego e eqüidade. A inflação é o pior imposto para os pobres. Leia no Dossiê Desemprego: |
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