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'Flexibilidade de salários é chave', diz britânico | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um dos mais respeitados especialistas em mercado de trabalho da Grã-Bretanha, Stephen Nickell, diz que a política macroeconômica sensata é "apenas o pré-requisito" para a geração de empregos. Entre as condições importantes, ele cita a flexibilidade dos salários, que pode ser atingida com o "enfraquecimento dos sindicatos" ou pela adoção por eles de uma "política salarial sensata". A seguir, a entrevista de Nickell, que é professor da London School of Economics e um dos representantes do setor privado no "Copom" do Banco da Inglaterra, à BBC Brasil: BBC Brasil - Qual a influência que os governos têm sobre a criação de empregos e redução de desemprego? Stephen Nickell - Governos podem ter um impacto enorme. A primeira coisa que os governos precisam fazer é assegurar que fazem uma política macroeconômica sensata. Na Grã-Bretanha, desde que a política monetária começou a ser governada por metas de inflação, no começo dos anos 1990, a economia tem sido muito mais estável do que era antes. Agora temos uma política monetária razoavelmente sensata. E em cima disso, uma política fiscal razoavelmente sensata, o que obviamente ajuda. Isso assegura que não há grandes choques na economia, o que obviamente abalam a política de emprego. Mas isso é apenas o pré-requisito. BBC Brasil - Qual a influência dos sistemas de benefícios? Nickell- O sistema de benefícios na Grã-Bretanha não é generoso, mas isso não é bom. Ter um sistema generoso de benefícios não leva a um desemprego maior, de forma nenhuma. O sistema de benefícios na Holanda e na Dinamarca (que estão entre os países com mais baixo desemprego na Europa) são muito generosos. A chave para um sistema não é a generosidade, mas como ele é administrado, para que indivíduos só recebem benefícios se eles seriamente procuram emprego, então isso é basicamente. O problema na França e na Alemanha não é que eles tenham sistemas de benefícios generosos, mas sim que não são administrados de forma apropriada. Então, indivíduos podem receber benefícios sem que estejam seriamente procurando emprego. BBC Brasil - Em caso de crise econômica, há políticas emergenciais que o governo pode adotar para compensar o aumento do desemprego? Nickell - Pode se tentar, mas de forma geral, essas políticas não são muito bem-sucedidas. Por exemplo, na Suécia, no início dos anos 1990, eles tiveram um enorme choque econômico e o desemprego cresceu rapidamente. Embora a Suécia tenha muitas políticas microeconômicas de criação de empregos e políticas ativas de mercado de trabalho de todos os tipos, essas políticas não foram capazes de impedir que o desemprego crescesse rapidamente. E levou cinco anos para o desemprego cair novamente. É claro que é preciso tentar, com esquemas de criação de empregos, mas se há um choque econômico sério, há muito pouco a fazer que será efetivo. BBC Brasil - No caso de um país emergente que tem que fazer um enorme ajuste, com alto superávit primário e juros elevados, haveria uma alternativa de política de criação de emprego ou simplesmente esperar que a economia cresça e gere emprego? Nickell - Não há uma alternativa a isso. Muitos governos pensam que uma alternativa é reduzir a força de trabalho, estimulando aposentadoria precoce ou algo do gênero. Isso só mascara o problema. Muitos países na Europa nos anos 1970, e alguns até hoje, usam essas políticas. O que eles fazem é simplesmente pegar os desempregados e recategorize em outro status, como aposentado precoce. Isso não é uma solução de maneira nenhuma. Basicamente, em circunstâncias em que se teve um choque adverso, o melhor que pode ser feito é, no sentido macroeconômico, se recuperar desse choque tão rápido quanto possível. Leia no Dossiê Desemprego: |
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