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Atualizado às: 27 de abril, 2004 - 20h59 GMT (17h59 Brasília)
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'Flexibilidade de salários é chave', diz britânico

Stephen Nickell (Foto:Bank of England)
Para Nickell, política macro é pré-requisito
Um dos mais respeitados especialistas em mercado de trabalho da Grã-Bretanha, Stephen Nickell, diz que a política macroeconômica sensata é "apenas o pré-requisito" para a geração de empregos. Entre as condições importantes, ele cita a flexibilidade dos salários, que pode ser atingida com o "enfraquecimento dos sindicatos" ou pela adoção por eles de uma "política salarial sensata".

A seguir, a entrevista de Nickell, que é professor da London School of Economics e um dos representantes do setor privado no "Copom" do Banco da Inglaterra, à BBC Brasil:

BBC Brasil - Qual a influência que os governos têm sobre a criação de empregos e redução de desemprego?

Stephen Nickell - Governos podem ter um impacto enorme. A primeira coisa que os governos precisam fazer é assegurar que fazem uma política macroeconômica sensata. Na Grã-Bretanha, desde que a política monetária começou a ser governada por metas de inflação, no começo dos anos 1990, a economia tem sido muito mais estável do que era antes. Agora temos uma política monetária razoavelmente sensata. E em cima disso, uma política fiscal razoavelmente sensata, o que obviamente ajuda. Isso assegura que não há grandes choques na economia, o que obviamente abalam a política de emprego. Mas isso é apenas o pré-requisito.
Há muitas políticas microeconômicas que podem reduzir o desemprego, mas não funcionam se a política macroeconômica não for sensata. Na política microeconômica, pelo menos em relação à Grã-Bretanha, uma questão-chave é a flexibilidade de salários, ou pelo enfraquecimento dos sindicatos, que foi o que aconteceu aqui, ou tentando assegurar que os sindicatos têm uma política salarial sensata, que foi o que aconteceu na Holanda e na Dinamarca. Uma dessas duas coisas é muito importante. Porque se os sindicatos, de forma incessante, forçam salários mais altos, o que acontece é que ou se tem inflação ou desemprego alto, dependendo da resposta macroeconômica. E das duas formas, isso não faz nenhum bem aos seus membros.
O segundo ponto, muito importante, é que o governo estimule alocações eficientes de empregos. Ou no setor privado, com agências de emprego privadas, ou públicas. De preferência, as duas, porque esses são extremamente importantes para assegurar que se as pessoas deixam seu emprego, eles podem achar outro emprego rapidamente. Finalmente, acho que é muito importante que haja políticas justas de proteção de emprego, mas que não sejam muito rígidas. Porque se forem muito rígidas vão desestimular os empregadores a contratar empregados e levam a desemprego alto.
E no caso dos sistemas de benefício de desemprego, só pessoas que realmente estão procurando emprego deveriam receber benefícios.

BBC Brasil - Qual a influência dos sistemas de benefícios?

Nickell- O sistema de benefícios na Grã-Bretanha não é generoso, mas isso não é bom. Ter um sistema generoso de benefícios não leva a um desemprego maior, de forma nenhuma. O sistema de benefícios na Holanda e na Dinamarca (que estão entre os países com mais baixo desemprego na Europa) são muito generosos. A chave para um sistema não é a generosidade, mas como ele é administrado, para que indivíduos só recebem benefícios se eles seriamente procuram emprego, então isso é basicamente. O problema na França e na Alemanha não é que eles tenham sistemas de benefícios generosos, mas sim que não são administrados de forma apropriada. Então, indivíduos podem receber benefícios sem que estejam seriamente procurando emprego.

BBC Brasil - Em caso de crise econômica, há políticas emergenciais que o governo pode adotar para compensar o aumento do desemprego?

Nickell - Pode se tentar, mas de forma geral, essas políticas não são muito bem-sucedidas. Por exemplo, na Suécia, no início dos anos 1990, eles tiveram um enorme choque econômico e o desemprego cresceu rapidamente. Embora a Suécia tenha muitas políticas microeconômicas de criação de empregos e políticas ativas de mercado de trabalho de todos os tipos, essas políticas não foram capazes de impedir que o desemprego crescesse rapidamente. E levou cinco anos para o desemprego cair novamente. É claro que é preciso tentar, com esquemas de criação de empregos, mas se há um choque econômico sério, há muito pouco a fazer que será efetivo.

BBC Brasil - No caso de um país emergente que tem que fazer um enorme ajuste, com alto superávit primário e juros elevados, haveria uma alternativa de política de criação de emprego ou simplesmente esperar que a economia cresça e gere emprego?

Nickell - Não há uma alternativa a isso. Muitos governos pensam que uma alternativa é reduzir a força de trabalho, estimulando aposentadoria precoce ou algo do gênero. Isso só mascara o problema. Muitos países na Europa nos anos 1970, e alguns até hoje, usam essas políticas. O que eles fazem é simplesmente pegar os desempregados e recategorize em outro status, como aposentado precoce. Isso não é uma solução de maneira nenhuma. Basicamente, em circunstâncias em que se teve um choque adverso, o melhor que pode ser feito é, no sentido macroeconômico, se recuperar desse choque tão rápido quanto possível.

Leia no Dossiê Desemprego:


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