|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Siderúrgicas brasileiras investem em fábricas nos EUA
Algumas siderúrgicas brasileiras conseguiram contornar o protecionismo dos países desenvolvidos juntando-se ao inimigo. Nos últimos anos, várias delas fizeram investimentos nos seus principais mercados consumidores. Um exemplo é empresa gaúcha Gerdau, que já tem dez usinas siderúrgicas na América do Norte: sete nos Estados Unidos e três no Canadá. A primeira, no Canadá, foi adquirida em 1988. Onze anos depois, a Gerdau entrou no mercado americano e, no ano passado, reforçou sua presença nos Estados Unidos com uma fusão com a americana Co-Steel. A Gerdau AmeriSteel é a segunda maior produtora de aços longos da América do Norte. A Gerdau controla dois terços da empresa. Sucata No ano passado, o Grupo Gerdau também adquiriu em leilão público uma fábrica no Estado da Geórgia, com capacidade para processar 60 mil toneladas de barras trefiladas redondas, quadradas, chatas e hexagonais destinadas à indústria metal-mecânica. Trata-se da mesma indústria que pressionou o presidente americano George W. Bush a acabar com a sobretaxa ao aço importado para ter acesso a insumos mais baratos. A empresa tem ainda uma participação da empresa Gallatin, no Estado de Kentucky. Mas a Gerdau diz que o protecionismo não a razão para instalação das filiais na América do Norte, mas a facilidade de comprar sucata – uma das matérias-primas dos produtos que fabrica – no próprio mercado onde vai vender o produto final. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) tem uma laminadora na cidade de Terre Haude, no Estado de Indiana, cuja aquisição foi concluída no ano passado. A empresa teve seus planos de produzir aços especiais a partir de placas de aço exportadas da matriz no Brasil com a introdução das salvaguardas, o que tornou a importação do produto brasileiro muito cara. CSN e Vale Além da Gerdau e da CSN a Vale do Rio Doce tem investimentos nos Estados Unidos. Apesar das medidas protecionistas e da perda de importância relativa, os Estados Unidos ainda são o maior mercado para o aço brasileiro. No ano passado, o país consumiu 25% da produção nacional. Este ano, até setembro, a participação americana na balança de exportações havia caido para 16,7%, com o aumento das importações por parte da China. De acordo com o embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, o estoque de investimento brasileiro nos Estados Unidos é de US$ 4 bilhões, incluindo todos os setores em que as empresas brasileiras estão envolvidas. Já os americanos investiram no Brasil dez vezes mais: US$ 40 bilhões, até hoje. Trabalhadores A transferência de plantas industriais do Brasil para os Estados Unidos pode facilitar o acesso da empresa ao mercado americano, mas não agrada aos trabalhadores. Para o presidente do Sindicato dos Siderúrgicos da Baixada Santista, Uriel Villas Boas, "o ideal seria exportar o produto feito no Brasil". Desde o início das privatizações das empresas do setor, em 1991, a modernização tecnológica e a reestruturação administrativa cortaram pela metade o emprego nas siderúrgicas brasileiras. Villas Boas diz que o setor empregava 120 mil pessoas na época e hoje não emprega mais do que 65 mil. "A produção dobrou, mas a modernização dos equipamentos só está fazendo com que os empregos caiam", afirma. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||