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Atualizado às: 04 de dezembro, 2003 - 23h41 GMT (21h41 Brasília)
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Para siderúrgicas no Brasil, decisão terá pouco impacto
Siderúrgica
Siderúrgicas brasileiras vinham buscando formas de burlar barreiras

Siderúrgicas brasileiras elogiaram nesta quinta-feira a decisão dos Estados Unidos de acabar com as salvaguardas à importação do aço, mas informaram que a medida deve ter pequeno impacto sobre seus negócios.

A suspensão das sobretaxas, imposta há um ano e meio pelo governo americano, foi anunciada nesta quinta-feira e passa a vigorar nesta sexta-feira.

A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) disse, em uma nota, que a decisão americana "representa um gesto significativo na direção das relações comerciais internacionais equilibradas e transparentes".

Mas a empresa também ressaltou que ela "não causará impacto significativo no negócio, já que permanecem em vigor as tarifas antidumping impostas pelos Estados Unidos, que implicam em um acréscimo de 40% a 42% nos preços, dependendo do produto."

China

Alguns produtos siderúrgicos brasileiros, como chapas grossas e laminados a quente, ainda estão sendo submetidos a uma investigação de dumping.

O diretor comercial da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista), Renato Vallerini Júnior, destacou que a suspensão abre as portas para um importante mercado consumidor para os laminados a frio e revestidos.

Vallerini Júnior não acredita, no entanto, num aumento imediato das importações americanas, porque os preços ainda estão menores no país do que no resto do mundo.

"Espera-se agora que outros países que impuseram medidas protecionistas para evitar o possível desvio de comércio resultante das salvaguardas americanas cancelem de imediato suas proteções, trazendo ao cenário mundial do comércio do aço uma configuração mais racional e mais compatível com as práticas do livre comércio", disse Vallerini Júnior.

Para ele, uma conseqüência da suspensão será "uma salutar descentralização do comércio internacional de hoje sobre a China".

 Felizmente, o bom senso prevaleceu.

Renato Vallerini Júnior, diretor comercial da Cosipa

Estados Unidos e China são hoje os dois principais mercados para o aço brasileiro, respectivamente com 16,7% e 16,5% do total exportado pelo país entre janeiro e setembro deste ano.

Bom senso

No ano passado, os Estados Unidos foram o destino de 28,4% das exportações brasileiras e, em 2001, a participação era ainda maior, de 34,3%.

Foi o aumento das importações chinesas – com o acelerado crescimento econômico do país nos últimos anos – que permitiu que as siderúrgicas brasileiras mantivessem o nível de exportações dos anos anteriores, apesar das salvaguardas americana.

Para Vallerini Júnior, o aspecto mais importante da medida anunciada pelo presidente Bush é o respeito à decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC), que declarou a medida ilegal no mês passado.

"Felizmente, o bom senso prevaleceu", afirmou.

Gerdau

Para o Grupo Gerdau, outro produtor de aço brasileiro, o impacto do fim das salvaguardas também será pequeno, já que a maior parte de suas exportações de aços longos vai para outros mercados, como América Latina e Ásia.

A produção de placas de aço, produzidas pela Gerdau na usina de Ouro Branco (MG), já tinha um volume que se enquadra dentro das cotas definidas e estava fora da salvaguarda.

 O Brasil confia que a plena revogação dessas medidas propiciará crescimento nas suas exportações de produtos siderúrgicos ao mercado norte-americano e trará benefícios para ambos os países.

Nota do Itamaraty

O mercado americano é atendido pela produção da empresa no próprio país.

A Gerdau tem sete usinas nos Estados Unidos e três no Canadá e, com isso, conseguiu contornar o protecionismo. O empresa tem ainda uma participação na siderúrgica americana Gallatin, no Estado de Kentucky.

A empresa acredita que os níveis de importação de aços longos pelos Estados Unidos devem manter-se nos patamares atuais em função do maior equilíbrio entre oferta e demanda no mundo, dos preços internacionais serem maiores que os praticados nos EUA e das perspectivas de crescimento da economia norte-americana.

Itamaraty

O Itamaraty também divulgou uma nota elogiando a decisão americana, destacando que a medida mostra que o "sistema multilateral" da Organização Mundial do Comércio (OMC) funciona.

A OMC considerou as medidas protecionistas americanas irregulares e autorizou a imposição de sanções contra o país, caso ele não suspendesse as sobretaxas.

"O Brasil confia que a plena revogação dessas medidas propiciará crescimento nas suas exportações de produtos siderúrgicos ao mercado norte-americano e trará benefícios para ambos os países", diz a nota do Itamaraty.

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