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Atualizado às: 14 de novembro, 2003 - 13h19 GMT (11h19 Brasília)
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'Aço depende de subsídios dos EUA', diz especialista

Chris Dunn
Chris Dunn diz que Brasil lucraria mais com a exportação de aço acabado.

O especialista em produção de aço e representante do Instituto Brasileiro de Siderurgia nos Estados Unidos, Chris Dunn, disse à BBC Brasil que, sem proteção da concorrência estrangeira, a indústria americana possivelmente teria ido à falência.

"Na hora da crise no setor, os produtores de aço aqui se acostumaram a pedir socorro ao governo", afirmou.

A legislação antidumping americana - regras de proteção comercial contra concorrência de importados vendidos abaixo dos custos de produção - tem sido um dos assuntos mais polêmicos da criação da Alca e interessa diretamente ao Brasil, principalmente no que se relaciona à venda de aço aos Estados Unidos.

Dentro dessa legislação, o governo americano impôs por um período de três anos, a partir de 2002, sobretaxas à importação do aço. Segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia, a medida causou só no ano passado um prejuízo de cerca de US$ 133 milhões (o equivalente a cerca de R$ 385 milhões) nas exportações brasileiras.

A imposição de tarifas adicionais pelo governo americano foi julgada ilegal pela Organização Mundial do Comércio, a OMC. Os EUA têm até dezembro para responder a essa decisão.

Subsídios

Ao aumentar as tarifas sobre importações de aço, o governo americano alegou que "subsídios injustos de governos estrangeiros estariam ameaçando a existência dos produtores americanos de aço".

Mas, para Chris Dunn, a questão central é a baixa competitividade da indústria nos Estados Unidos. "A indústria aqui passa por uma crise séria a cada cinco anos, ela não se modernizou e ainda tem que lidar com as exigências dos operários que esperam altos benefícios", diz.

Semanas antes da reunião ministerial da Alca em Miami, representantes das três indústrias siderúrgicas dos países do Nafta (o acordo de livre comércio entre Canadá, Estados Unidos e México) escreveram uma carta ao representante americano do Comércio, Robert Zoellick, pedindo que "regras essenciais do comércio não sejam enfraquecidas nas negociações".

Chances

John Williamson
Williamson não acredita em decisões antes das eleições de 2004

O porta-voz do Instituto Americano do Ferro e do Aço, Barry Solarz, disse à BBC Brasil que a Alca não preocupa os produtores americanos de aço, mas sim a concorrência desleal por parte de alguns países que subsidiam a produção siderúrgica.

"E aí incluo o Brasil. Não sou eu quem está dizendo isso, mas os próprios estudos e relatos do Departamento de Comércio americano, que sugerem que o Brasil se utiliza de regras injustas", afirmou.

O governo e a indústria siderúrgica do Brasil contestam essas alegações, e dizem que se baseiam em dados relativos ao período anterior à privatização das siderúrgicas nacionais.

De acordo com Dunn, apesar das críticas a situação brasileira ainda é menos complicada se comparada a de outros países.

"O Brasil acabou um pouco mais favorecido do que os demais, pois a taxa do aço semiacabado - o grosso das importações brasileiras - é mais liberal. Eu diria que o semiacabado fica quase livre pra entrar nos Estados Unidos, e o Brasil tem direito de exportar quase toda a quantidade que quiser. O problema é o aço acabado, que tem mais valor agregado aqui. E por isso é mais interessante para a indústria brasileira."

Atualmente, existe uma pressão de indústrias que usam o aço como matéria prima e consumidores americanos para que o governo elimine as sobretaxas.

Mas, de acordo com o economista John Williamson, será difícil politicamente para o presidente George W. Bush tomar qualquer decisão no próximo ano.

aço
Indústria do aço nos EUA atravessa crises periódicas

"O ano de 2004 é um ano delicado por causa da reeleição. O presidente não irá tomar nenhuma medida polêmica", diz Williamson.

Cálculo político

As sobretaxas à importação do aço foram impostas exatamente nos Estados americanos onde o Partido Republicano, do presidente Bush, foi reprovado nas urnas. Dunn acredita que Bush deve eliminar as tarifas depois das eleições.

"Se ele ganhar, vai eliminar, porque não vai mais precisar do apoio da indústria americana."

Para o especialista, o aço do Brasil tem fortes vantagens na competição com os Estados Unidos e o resto do mundo. Mas o maior problema para todos esses países é o crescimento da produção na China.

"Mas agora todo mundo tem que competir com a China, cujo custo de mão-de-obra é baixíssimo. Assim que a China atingir um nível de produção maior em dez, 15 anos, o desafio de todos, não só do Brasil e ainda dos americanos, será enorme. Os americanos, a longo prazo, não terão como produzir muito aço porque não terão como concorrer com a China."

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