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Entrada nos EUA ainda é difícil para aço do Brasil
Apesar da suspensão das salvaguardas que atingiam o aço importado pelos Estados Unidos, nesta quinta-feira, o produto brasileiro continua enfrentando barreiras para entrar no mercado americano. Um estudo da embaixada brasileira em Washington sobre as barreiras aos produtos brasileiros mostra que os processos antidumping e anti-subsídios ainda em vigor causaram à siderúrgicas nacionais um prejuízo de US$ 1,3 bilhão nos últimos 11 anos. De acordo com o relatório, esse montante é quase o dobro do volume total exportado pelo Brasil aos Estados Unidos em 2001. No ano passado, o Brasil exportou para o mercado americano US$ 733 milhões, o equivalente a 25% do total. O documento, assinado pelo embaixador Rubens Barbosa, diz ainda que esse valor é inferior à realidade porque não leva em conta os prejuízos causados ao setor e à economia brasileira em função da queda nas exportações. "Direção correta" "Essa medida (o fim das salvaguardas) é importante porque vai na direção correta da eliminação das restrições não-tarifárias, mas para nós, concretamente, as restrições continuam com as outras medidas em vigor", disse Barbosa à BBC Brasil. O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) elogiou a medida e avaliou a que a retirada das salvaguardas abre a possibilidade retomada de exportações no valor inicial de US$ 110 milhões, podendo chegar a US$ 135 milhões a médio prazo. De acordo com a entidade, que representa as empresas do setor, os produtos beneficiados com a mudança são os laminados planos a frio e as chapas galvanizadas, que não estão submetidos a nenhuma outra restrição.
Num segundo momento, o IBS avalia que abre-se espaço para a retomada das exportações de laminados planos a quente e chapas grossas, se as empresas conseguirem a revisão dos processos antidumping e direitos compensatórios e a eliminação das respectivas sobretaxas. Melhoram também, na avaliação do IBS, as perspectivas de crescimento das exportações de produto semi-acabados, como insumo para as siderúrgicas americanas. Os semi-acabados respondem por quase 70% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, o equivalente a cerca de US$ 510 milhões ao ano. Outra medida Logo depois de anunciar a suspensão das salvaguardas, o governo americano anunciou na própria quinta-feira uma nova medida, que vai atingir as exportações brasileiras de fios de aço para construção civil. A companhia Belgo Mineira exporta US$ 4 milhões do produto ao país por ano. "Essa nova medida coloca o produto brasileiro praticamente fora do mercado americano. Vai ficar muito difícil exportar para cá agora", lamentou o embaixador. O aço é um dos produtos brasileiros mais visados nos processos antidumping e anti-subsídios do governo americano. Apesar da privatização do setor siderúrgico brasileiro nos anos 90, o governo americano ainda considera que as empresas recebem subsídios estatais. Nos últimos 14 anos, os Estados Unidos iniciaram 33 investigações contra 21 produtos brasileiros. Desse total, o aço respondeu por 76% das investigações e por 71% dos produtos investigados. |
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