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Atualizado às: 11 de maio, 2007 - 09h29 GMT (06h29 Brasília)
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Drops
Ivan Lessa
Chega um dia na vida de todo mundo que escreve para viver (e até mesmo vive para escrever) em que há tanto, mas tanto assunto, que, em vez de escrever uma crônica, com começo, meio e fim, o escriba (todo cara que escreve mal escreve “escriba”) resolve partir para cima do pobre do leitor mandando pra cima dele uma porção de pequenas notas.

O nome da coluna, espaço, ou seja o que for que o (risos) escriba mantém, sempre asseado como o mictório de um botequim duas estrelas, em geral é feito o que emcima estas elucubrações (mais risos) admitindo porém algumas variações como “Rápidas & Rasteiras”, “De Tudo Um Pouco”, “Notinhas” e… e mais nada.

Acabou. Qualquer outra tentativa é besteira. As (colocar aqui o nome de vossa predileção) podem ser os vários assuntos que o cronista, ou articulista, um débil desses, guardou para estender enchendo lingüiça e ganhar seu rico dinheirinho, ou então uma improvisação à melhor maneira dos músicos de jazz ou certos virtuosos do bandolim.

Nesta semana em que o Papa foi ao Brasil e metade dos jornalistas brasileiros entraram em férias, o que eu tenho a distribuir em gotas (ah, ia esquecendo: “Gotas” é outro nome para a coluneta tradicional) é o que se segue.

Devolução da Irlanda do Norte

Tenho mais de 30 anos de Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.

Entendo pouquíssimo do País de Gales. Sei apenas que lá houve muito mineiro, no sentido anglicano do termo e não da proverbial cerca e do pão de queijo, e eles falam cantadinho.

Os mineiros, se não emigraram para o Brasil, onde foram ser motoristas de limusines, morreram todos entoando canções folclóricas de caráter heróico e inspirador.

Os galeses são, mais ou menos, os catarinenses destas ilhas. O Príncipe Charles tem terras que não acabam mais no País que dá título ao seu cargo e posição na Família Real, e, ao que parece, vive das rendas que elas proporcionam, que poucas não serão.

Os galeses odeiam os ingleses que em Gales possuem uma casa de veraneio ou em suas plagas (“plagas” também é palavra de colunista pobre) vão passar sua aposentadoria. Mais não se pode, nem se deve, dizer do País de Gales.

Ah, sim. Ia me esquecendo. Lá nasceu o poeta Dylan Thomas, que morreu de tanto beber no início da década de 50 e enganou aos potes o quanto pôde, sendo que hoje sua pule não paga dez. Dele ficou apenas o primeiro nome, do qual se apossou, por admiração e muita bolinha na cuca, o menestrel folclorista fanho norte-americano, Robert Zimmerman.

Evitei até onde foi possível mencionar o principal assunto desta semana aqui na paróquia (“Paróquia” é outro horror de termo empregado pelos escribas de nossas plagas): a devolução da Irlanda do Norte.

Parece que é importante à beça, ou à bessa, como eu e Millôr Fernandes preferimos. Mas a Irlanda do Norte só é interessante quanto o pau está comendo, os tiros ecoando e as bombas eclodindo.

Abriu-se um jornal, de quarta-feira em diante, e lá estavam, sorridentes como bêbados irlandeses se entupindo de cerveja preta no pub, velhos e tradicionais inimigos: os católicos que querem se unir ao resto da ilha do outro lado do canal, a República da Irlanda, e, nela, serem católicos em comum, e os protestantes, que se dizem os Loyalists, ou “lealistas” (essa podem usar sem susto os que querem botar banca), que não admitem uma Irlanda do Norte que não seja súdita da Rainha Elizabeth, que, por sinal, escolheu esta época para visitar os Estados Unidos, que ela não é boba e nem queria ver ou estar perto da tal da “Devolução”.

Sim, isso é o que me empomba. Eles só chamam de “Devolution”. Devolver o quê, meu Senhor! Se eles continuam onde estavam, só que se matando num mínimo mais racional e aceitável, e nada saiu daqui (Inglaterra, Escócia e País de Gales) para lá.

Se “Devolução” for isso, risos e abraços, sugiro a adoção da medida para todas as aglomerações brasileiras onde reina o banditismo, seja morro ou planalto. E escolham, como aqui, um “First Minister” para supervisionar as obras de transição. Os 35% que ele pedir de comissão podem ser discutidos.

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Eu que ia falar de uma porção de coisas acabei não dizendo nada sobre coisa alguma. Depois dizem que eu não sei escrever.

Arquivo - Ivan
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