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Uma velhinha do barulho | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Não bastassem os “hooligans” de tenra e meia-idade, começam agora os cidadãos da terceira idade a partir para a ignorância. Uma andorinha não faz verão, bem sei. Mas uma gralha gorda e velha, embirrada e empombada, faz as quatro estações do ano se lhe der na telha. Na mesma semana em que os jornais daqui noticiaram em suas primeiras páginas, com macabra fartura de detalhes, o massacre da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, assim como quem não quer nada, ali embaixo, num pequeno “box” dos jornalões, estava a notícia, aqui para o Reino Unido bizarra e brutal como um filme do Quentin Tarantino ou do Robert Rodriguez (Grindhouse, por falar nisso, ainda não passou aqui), embora totalmente destituída de humor, negro ou de qualquer outra tonalidade. Pelo menos no meu entender. Foi no País de Gales, onde, volta e meia, acontecem coisas de cair o queixo, fazer saltar os olhos e outros macetes de desenho animado. No sul do país, na cidade de Abergavenny, a senhora Dorothy Evans, de 81 anos de idade, pegou 6 meses de cadeia por perturbar a paz, perseguir seus semelhantes e, não bastasse, seis violações de uma ordem de comportamento anti-social, esta última medida muito popular aqui e bem britânica – na intimidade das pessoas mau comportadas virou “asbo”, um bom nome, fica parecendo um tipo especial de mula sem cabeça ou curupira. O juiz que condenou a sra. Evans foi mais além: disse que, se dependesse só dele, ela pegaria uns bons 10 anos de cadeia devido a seus péssimos antecedentes e sua declarada intenção de fazer “um inferno da vida de seus vizinhos”. Entremos nos terríveis detalhes. O inferno mora ao lado Em 81 anos de vida, Dorothy Evans não aprendeu a controlar seu temperamento. Cismou, porque cismou, assim são certos galeses, com os vizinhos, senhor e senhora Roberto Casa, mais a filha do casal, cujo nome não pode ser divulgado devido à sua idade. Deu a sra. Evans de dizer à família vizinha que ela era uma bruxa e ia lançar um feitiço dos bravos contra eles. Pior: iria matar o cachorrinho de estimação dos Casa. A sra. Casa, durante o julgamento, depôs emocionada, os nervos expostos, olhos lacrimejantes, contando que as disputas se sucediam, ora em torno de problemas ligados ao estacionamento, ora em torno de infiltração de água. Sendo o pior sempre reservado para os Casa, invariavelmente tratados aos desaforos. De certa feita, depôs a sra. Casa, ela chegou a ser chamada de “prostituta” pela vizinha. Mais de uma vez, a terrível anciã tentou atropelá-la. Teve um dia, inclusive, que ela disse que era para o marido dela, o sr. Roberto Casa, mais a família “voltarem todos para a Itália”. A modéstia quase impediu a sra. Casa de contar, diante do tribunal, com juiz, jurados, platéia e imprensa, que houve mesmo uma vez em que Dorothy Evans (a essa altura já perdera para todos o direito a uma “senhora” antes do nome) levantou a saia, baixou as calcinhas (não seriam “calções”?), deste modo insultando-a profundamente com a prática daquilo que aqui nas ilhas, e em vários países da Comunidade Européia, é chamado de “mooning” – enluarando, arrisco-me a traduzir. Na segunda-feira, dia 16 de abril, a anciã (anciã chateia, não é mesmo, dona Dorothy?) não compareceu ao tribunal para ouvir a sentença. Alegou estar fazendo exame de sangue. O juiz não aceitou a desculpa e considerou o fato como agravante. Em sua sentença, o juiz Roderick Dernyer mostrou-se cético quanto à possibilidade de Dorothy mudar. Seis meses de ver o sol nascer quadrado no País de Gales não lhe fariam mal, ponderou e condenou. E assim foi e assim será. |
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