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Direitos do ouvido | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Vagabundo barulhento, bagunceiro e beirando o perigoso é chamado aqui de “yob”. Dizem que a origem é simples: “boy” ao contrário. Maldade com a garotada que não se deixou seduzir pelo barulho, bagunça e perigo mencionados no início deste texto. Os “yobs” são um problema sério. Conforme disse, além de constituírem uma presença desagradável, podem fácil criar uma situação onde a violência é a tônica e o gim, ou a prosaica e sedutora cervejinha. Como enfrentar então os “yobs”, já que é tudo garoto. A polícia tem que usar luvas de pelica, conforme manda o lugar-comum. Muita gente gostaria que a polícia usasse luvas de pelica, mas sem deixar de nas mãos empunhar um baita cassetete que fosse à cabeça “desses safados”, como diria boa parte de uma população cada vez menos tolerante com essa “gentalha” (palavra deles lá). A ciência em socorro A ciência – ah, a ciência, sempre a ciência! – mais uma vez correu para auxiliar os bons e castigar os maus. Inventaram aqui um engenho sônico batizado de Mosquito e que se destina a combater os “yobs”. Lembremos que os “yobs” são constituídos de uma meninada pouco sã cuja idade varia dos 13 aos 20 e poucos anos. Sim, os com mais de 15 anos pegam cadeia, mas estas já se encontram cheias e só iriam custar mais dinheiro para o estado encarcerar a turma do zumzumzum. Como combatê-los então? Com um zumzumzum também. O zumzumzum (estou zumzumzando demais?) chamado Mosquito, que mencionei aí em cima. O Mosquito O Mosquito, visto assim de relance, parece direitinho um apito. E apito é. Você sopra, ou trila, para tornar a coisa mais poética, e ninguém a não ser os jovens mandriões (para não repetir “vagabundo”. Conferir num dicionário decente, o Houaiss, por exemplo) ouvem um zumbido que em muito ultrapassa o desagradável: é odioso, meio por sobre o doloroso mesmo. Trata-se de um dissuasor eficaz, garantem os (claro) cientistas e as pessoas de paz e pouca paciência. Já há por volta de 3 mil Mosquitos espalhados estrategicamente pelo Reino Unido em lugares onde costumam se congregar os “pequenos pulhas” (continuo traduzindo como posso o que dizem aqui). Eu, você, todo mundo, já conhecíamos esse apito que só cachorro ouve. Parece que há um para gato também. Mas só garoto e garotão “transviado” ouvir – ora, essa é muito boa, isso é muito bom, regozijaram as bem comportadas classes trabalhadora, média e alta. O Mosquito transmite seu, para nós, mudo berro de irritação numa pulsação de 18 quilohertz, que liga e desliga 4 vezes por segundo, em etapas de até 20 minutos. Os jovens “ truões” (vide dicionário de novo) captam essa frequência graças aos minúsculos fios de cabelo que possuem no interior do ouvido. Esses “cabelinhos” caem quando o indivíduo (repelente, claro, como diziam nossos maus tablóides) chega ou mesmo atinge, como se fosse uma pedrada, os 25 anos. Não, não se assustem. Crianças e bebês estão imunes à detestável vibração, ao passo que as pessoas com mais de 25 anos não pegam neris de pitibiriba. Eu, você, a vovó e o vovô temos ouvidos de mercador para tudo que vier acima dos 8 quilohertz. Apito, para nós, é o do guarda na esquina, mandando o trânsito parar para atravessarmos a rua. Ou então – era bom – da nossa turma no bloco carnavalesco.! |
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