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Bola de gude | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Essa eu perdi. Só soube agora que, em abril, se realizou no condado de West Sussex, o campeonato mundial de bola de gude. Esclarecimento: “mundial” para inglês, ou americano, é qualquer coisa disputada entre eles mesmos ou, no máximo, com boa vontade, umas duas ou três outras nacionalidades. Nós, brasileiros, se quiséssemos, poderíamos ter uns 45 campeonatos mundiais de tudo o que quiséssemos, inclusive o de cuspe em distância, não fosse a nossa sensatez e nossa proverbial humildade. Seríamos penta, hexa, tudo de tudo. Mas, essa a dura realidade, somos apenas brasileiros disputando brasilidades e brasileirismos. Ao que interessa: o campeonato mundial inglês de bolinha de gude é tradicionalmente disputado entre equipes inglesas e alemãs. Estranhamente, o certame ocorre dentro de um pub e, talvez mais importante que os jogos em si, seja o consumo de cerveja ou chope. Além do mais, as contendas se dão num círculo de concreto numa rampa ligeiramente inclinada. Para mim, um despropósito. Feito como bola de gude na areia. Bola de gude só em terra. Nada adiantarão meus protestos, uma vez que a história de que o jogo da bola de gude foi inventado pelos ingleses em 1588 é tida e aceita como verdadeira e quem sou para por em dúvida. No século XVI não havia concreto. Inclinação, sim. Concreto, não. Possivelmente tacavam no chão tábuas de madeira e iam de bola ou búlica. Parêntese importante Eu escrevi “búlica”. Pois é. Joguei bola de gude em Copacabana, na Bolívar, quarteirão da praia, num estreito fio de terra dentro de uma vila (como havia vilas então!) Traçávamos com um pauzinho de picolé a elipse onde ficariam as nossas preciosas bolinhas, mais um buraco no chão, a búrica, propriamente dita, que eu até ontem achava que era “búlica” (e “bola ou búlica” o nome do jogo). Mandávamos então brasa com nossas parrudas bilhas (eram as rolimãs pondo para quebrar as catitas bolinhas adversárias compradas no “Lá Em Casa Brinquedos”, logo ali na avenida Copacabana) e assim ficávamos até a hora da pelada no meio da rua, do bafo-bafo com as figurinhas das Balas Futebol, do cineminha, se cobres houvesse. Acham nostálgico? Bacaninha? Não era. Infância é de uma chatice insuportável. Ball or burakken? Os alemães foram campeões em 2006, com a equipe do MC Erzgevirge, bicampeã, por sinal, e, antes disso, o Saxônia Globe Snippers ergueu a taça, se taça há, se sobriedade houver, por três vezes seguidas, foi de tri. As regras do jogo não tão são simples como as de qualquer terreno baldio brasileiro do século passado: duas equipes de seis jogadores (gudeiros?), com o dedão em ponto de bala, disparam contra as bolinhas adversárias no tal círculo de concreto em inclinação (e a “búrica”, como é que fica?), inclinação, quero crer, semelhante à dos bebedores praticantes do pouco nobre esporte. O dedo indicador, que serve de apoio para os disparos, é chamado de “tolley”. As regras oficiais estão expostas num folheto de quatro páginas, o que desvirtua, no meu entender, o jogo, já que bola de gude só tem regra oral e, delas se discordando, vale a porrada. Ah, sim, as saliências da mão, os "knuckles", devem estar sempre em contato com o concreto. Não é por nada não, mas está me parecendo mais interessante que jogo do Manchester United. Em 2008, garantirei a minha presença. Talvez defendendo as nossas cores. |
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