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Atualizado às: 16 de agosto, 2006 - 13h10 GMT (10h10 Brasília)
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Grandes desafios aguardam força da ONU no Líbano

Soldado da força da ONU já existente no Líbano
Soldado da Unifil, que será expandida, patrulha sul do Líbano
O cessar-fogo no Líbano terá de ser acompanhado por uma complicada série de manobras para evitar a retomada do conflito.

Isto vai envolver: 1) o recuo das forças israelenses para dentro do seu território; 2) a inserção de um contingente de 15 mil soldados do Exército do Líbano até a fronteira; 3) o aumento da força internacional de paz da ONU no sul do Líbano (Unifil) de 2 mil para 15 mil soldados; e 4) a saída do Hezbollah, na condição de força armada, da região.

A falha no cumprimento de qualquer uma dessas exigências pode colocar em risco todas elas. E o desarmamento do Hezbollah pode se mostrar a questão mais difícil.

Retirada israelense

As tropas israelenses começaram a deixar o sul do Líbano na segunda-feira, abandonando a cidade de Marjayoun, um enclave majoritariamente cristão onde Israel montou seu quartel-general durante os anos em que ocupou parte do Líbano, de 1978 a 2000.

Os soldados se retiraram também do local mais distante que haviam alcançado em território libanês, Ghandouriyeh, cerca de 15 quilômetros ao norte da fronteira entre os dois países.

As autoridades israelenses dizem que esperam completar a retirada até a semana que vem, embora não tenha havido um anúncio formal.

Estima-se que Israel tenha cerca de 30 mil soldados no Líbano. Os israelenses não querem deixar suas tropas isoladas e expostas a um ataque do Hezbollah. Mas também não desejam ver o Hezbollah se estabelecendo novamente na área.

O que leva à próxima manobra: o deslocamento do Exército do Líbano para o sul do rio Litani. O governo libanês aprovou uma força de 15 mil soldados e pode começar a posicioná-los ao norte do rio já até o final da semana.

O plano, descrito na resolução 1701 do Conselho de Segurança, é o "estabelecimento, entre a Linha Azul (a fronteira israelense) e o rio Litani, de uma área sem militares, infra-estrutura e armas que não as do governo do Líbano e da Unifil".

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, disse no domingo que a força internacional deve acompanhar as tropas libanesas.

"Israel se retirará concomitantemente com a marcha do Exército libanês para o sul, junto com a força internacional."

Isto pode ser feito lançando mão do atual contingente da Unifil mais próximo da fronteira, e enviando reforços da força internacional expandida.

Força internacional

A França deve liderar as tropas internacionais para o sul do Líbano (veja ao lado a provável composição das tropas).

Nº de soldados
França: 4-5 mil
Itália: 2-3 mil
Malásia: mil
Turquia: 800-1200
Indonésia: 850
Espanha: 700
Finlândia: 200
Brunei: 200
Austrália: um pequeno ‘nicho’
Alemanha: Forças policiais e navais
Portugal: a ser determinada
Bélgica: a ser determinada
EUA/Grã-Bretanha: não contribuirão
Estimativas

A liderança francesa se explicaria pelo papel histórico da França no Líbano (depois da Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações deu aos franceses um mandato para governar o Líbano), mas também porque a diplomacia de Paris quis, e conseguiu, um papel distinto na crise.

O chefe das operações de paz da ONU, Jean-Marie Guehenno, disse esperar que os "primeiros elementos" da força internacional cheguem em dez dias.

Uma possível contribuição alemã seria interessante. O governo alemão não quer enviar tropas que possam entrar em conflito com israelenses, daí a ideia de enviar forças navais para patrulhar a costa libanesa.

Mas alguma espécie de força terrestre, possivelmente policial, não foi descartada.

Hezbollah

Os dois problemas da força internacional são o seu mandato e o relacionamento com o Hezbollah.

A resolução 1701 dá às tropas poder significativo. Elas devem "garantir que sua área de operações não seja utilizada para atividades hostis de qualquer natureza e resistir a tentativas que por via da força tentem impedi-la de realizar suas tarefas".

Isto poderia gerar um conflito com o Hezbollah, se a milícia não se retirar ou entregar as armas.

Os franceses têm insistido que o grupo deve se desarmar antes da chegada das tropas internacionais, o que poderia ser por si só um sério problema.

O ministro libanês da Defesa, Elias Murr, disse que "não haverá armas ou presença militar além da do Exército" quando o Exército for enviado ao sul do rio Litani.

Mas ele acrescentou que o Exército não desarmaria o Hezbollah, porque este tema teria de ser tratado "através de um diálogo nacional".

Pode haver um cessar-fogo. Mas ainda não há paz.

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