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'Líbano só teria guerra civil com influência externa', diz historiador | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Líbano só terá uma nova guerra civil se agentes externos começarem a armar e incentivar as diferentes facções libanesas, diz o professor Kamal Salibi, autor de alguns dos mais importantes livros de história libanesa e uma dos mais respeitados historiadores do país. Na opinião de Salibi, as guerras civis no Líbano que aconteceram em 1958 e de 1975 a 1991 foram alimentadas por armas e interesses de outros países. O temor expressado por alguns analistas de uma guerra civil agora ou – principalmente depois de um cessar-fogo com Israel – vem da possível antipatia que alguns grupos podem sentir em relação ao Hezbollah, quando terminar o clima de grande união nacional que foi provocado pelos ataques israelenses. "Se algum poder externo malicioso começar a armas os druzos de um lado, os cristãos de outro e assim por diante podemos ter uma guerra civil. Se agentes externos começarem a injetar recursos e incentivos sobre as facções libanesas, corremos este risco", avalia o estudioso. "Sem um incentivo externo não acho que vá ocorrer uma guerra civil", diz. Alianças Atualmente os xiitas têm no Hezbollah o único grupo fortemente armado entre as facções libanesas e o grupo tem uma aliança reconhecida – embora não esteja claro quanta ajuda foi efetivamente enviada - com a Síria e com o Irã. "Não sou dos serviços de inteligência e não tenho a menor idéia se algo assim está acontecendo. Mas existe o risco de Israel ou os Estados Unidos terem interesse em armar facções que se oponham ao Hezbollah", diz. Salibi diz que agora já é possível perceber uma indisposição de parte dos cristãos, dos sunitas e até de alguns xiitas contra o Hezbollah, porque as ações do grupo detonaram o atual conflito. "Eu mesmo não aprovo o que o Hezbollah fez e acho que uma reação de Israel seria natural. Mas a reação desproporcional e selvagem dos israelenses, destruindo cidades inteiras e toda a infra-estrutura do Líbano, fez que com muita gente se identificasse com o Hezbollah", diz "Eu não poderia viver com minha consciência agora se não sentisse alguma simpatia pela luta do Hezbollah contra a agressão de Israel", diz o historiador que faz parte de uma minoria de cristãos existente no Líbano e que tradicionalmente tem menos envolvimento nas disputas de poder das facções no país. Poder Salibi acredita que o Hezbollah vai sair militarmente mais forte deste conflito mas não acha que o grupo xiita vá tentar usar esta vitória para tirar poder político das outras facções libanesas. "A impressão é de que o Hezbollah toma atitudes que incomodam as outras facções mas não chega a ter um posição desafiadora do poder dos outros", diz. O poder político no Líbano é dividido entre cristãos, sunitas, xiitas e druzos. Assim, o presidente sempre é cristão, o primeiro-ministro sempre um sunita, o presidente do Parlamento sempre um xiita e os druzos – grupo minoritário – ganham pastas ministeriais. O acordo foi feito nos anos 40 – quando o cristãos representavam mais de 50% da população do país – e acabou repetido, com poucas modificações, no acordo de Taif, que em 1991 pôs fim à guerra civil libanesa. Mas as referências demográficas em que ele se baseia são ainda do tempo do mandato francês – no anos 30 – e praticamente todos concordam que a proporção de cristãos caiu muito nos últimos anos, enquanto a de muçulmanos xiitas cresceu significativamente. "Mas não acredito que haja um questionamento grande desta divisão formal de poderes. Mesmo que ela não reflita exatamente a estrutura demográfica do país hoje, há percepção de que este consenso é a melhor solução para manter o país estável", explica. |
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