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Atualizado às: 05 de agosto, 2006 - 00h55 GMT (21h55 Brasília)
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Hezbollah 'ainda não usou todas as suas reservas'

Hassan Nasrallah
Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, diz que seu grupo pode lutar por muito tempo
Amin Hatate, um ex-general do Exército do Líbano, acredita que o Hezbollah pode lutar por meses.

"Eles são pagos para esse tipo de guerrilha. Eles querem lutar. Eles sabem que pontes e estradas serão interrompidas então cada área é auto-suficiente", disse Hatate.

Há informações que indicam que o Hezbollah vem se preparando para uma possível confrontação com Israel há algum tempo e vem armazenando armas.

Timor Goksel observou a criação do Hezbollah em meados da década de 80 quando era analista político da força de paz das Nações Unidas no sul do Líbano. O que nós estamos vendo até agora é o que eles chamam de 'reservas dos vilarejos'. É algo muito interessante. O Hezbollah não envolveu ainda as suas tropas", disse ele.

"O que vem por aí para os israelenses,se avançarem mais (em território libanês) e controlarem o território durante um período, é que eles vão ver combate de verdade no sul do Líbano - uma insurreição muito clássica e será muito onerosa porque eu acho que o Hezbollah vai envolver seus soldados profissionais."

O Hezbollah não é apenas um grupo militar, e nem apenas um partido político. Ele também tem serviços sociais que oferece a seus simpatizantes, os muçulmanos xiitas do Líbano.

Assistência social

Na capital libanesa, Beirute, 1,5 mil pessoas estão vivendo em uma escola transformada em centro de refugiados gerenciado pelo Hezbollah.

"O grupo tem engenheiros, e tem trabalhadores", disse Hussein, um dos membros do Hezbollah que dirige o centro.

"O Hezbollah tem uma infra-estrutura completa que dá a estas pessoas todas as condições possíveis para se manterem."

Uma outra mulher me disse que, embora estes sejam refugiados, o Hezbollah lhes dá tudo o que necessitam. O governo tem meios limitados, então o Hezbollah os ajuda, disse ela.

É assim que o Hezbollah garante uma lealdade inabalável e apoio popular - dando assistência à comunidade xiita.

O governo central aqui é fraco há décadas, então é fácil para o Hezbollah intervir.
Mas também há uma sensação de que o Hezbollah monopoliza os xiitas e mantém o governo à distância com suas escolas, hospitais e associações de mulheres.

E, com seu substancial estoque de armas, muitos libaneses encaram o grupo como um Estado dentro de um Estado.

"Nem o governo nem qualquer segmento do povo libanês pode exercer controle sobre o que o Hezbollah faz ou não faz", disse Simon Karam, ex-embaixador do Líbano nos Estados Unidos.

"É evidente que o Hezbollah não calculou as conseqüências de seu ato inicial e o Líbano mergulhou em uma guerra total com Israel. Então, esta ansiedade (entre libaneses) que foi gerada pela ação inicial ainda é muito forte e muito presente."

Ansiedade e críticas não são manifestadas por muitos libaneses no momento. Há uma sensação de que agora é hora de unidade para enfrentar Israel.

Mas os libaneses sabem que acabarão tendo que lidar com a questão do poder militar do Hezbollah dentro do Líbano.

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