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Atualizado às: 14 de agosto, 2006 - 18h18 GMT (15h18 Brasília)
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Israel vai continuar perseguindo Hezbollah, diz Olmert
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Israel vai continuar perseguindo líderes do Hezbollah no Líbano, apesar de um cessar-fogo no conflito com o grupo militante libanês, anunciou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, nesta segunda-feira.

"Nós vamos continuar perseguindo-os em qualquer lugar, o tempo todo, e nós não pretendemos nos desculpar ou pedir autorização a ninguém", disse Olmert, em pronunciamento ao Parlamento israelense.

O primeiro-ministro também disse que o seu governo fará tudo para assegurar a libertação de dois soldados israelenses, cuja captura pelo Hezbollah em território israelense, no dia 12 de julho, deu início ao conflito.

O cessar-fogo, previsto em uma resolução da ONU e aceito por todas as partes envolvidas (Líbano, Israel e Hezbollah), foi implementado às 8h desta segunda-feira, hora local (2h da manhã, no horário de Brasília).

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a trégua estava sendo respeitada.

Além do cessar-fogo, a resolução prevê a libertação dos dois soldados, o desarmamento do Hezbollah e o envio de 15 mil soldados do Líbano ao aul do país.

Vitória

Os dois lados se dizem vitoriosos. O Hezbollah distribuiu panfletos parabenizando o Líbano por sua "grande vitória" e agradecendo aos cidadãos pela paciência durante o conflito.

Já o porta-voz do Ministério do Exterior de Israel, Mark Regev, disse que o "Estado dentro de um Estado" do Hezbollah tinha sido destruído, assim como sua habilidade de atacar soldados israelenses do outro lado da fronteira.

Israel mantém milhares de soldados no sul do Líbano após expandir sua ofensiva durante o fim de semana. Porém, algumas tropas começaram a deixar a área após o cessar-fogo ter entrado em vigor.

O governo libanês realiza conversas informais para decidir como implementar a distruibuição de tropas da ONU e do Líbano no sul, que é uma exigência do acordo de cessar-fogo respaldado pela ONU.

Os comandantes militares de Israel e do Líbano também discutem o destino dos dois soldados israelenses capturados pelo Hezbollah no mês passado.

Volta para casa

Milhares de pessoas desalojadas pelo conflito começaram a voltar para o sul do Líbano nesta segunda-feira, após o anúncio do cessar-fogo.

Apesar do movimento de pessoas deixando áreas como Beirute, a capital, rumo às áreas onde até domingo estavam ocorrendo combates, o Exército israelense afirmou que continua proibindo o tráfego de veículos ao sul do Rio Litani, que fica a cerca de 30 km da fronteira com Israel.

A proibição foi imposta na semana passada, quando Israel disse que iria atacar qualquer veículo que se movesse na região. O bloqueio aéreo e marítimo adotado por Israel no Líbano também continua.

No norte de Israel, as pessoas foram aconselhadas a permanecer em abrigos por enquanto.

O problema do retorno para milhares de libaneses não se limita às proibições israelenses. O próprio governo do Líbano alertou para o perigo de as pessoas retornarem às cidades do sul do país por causa do risco de encontrarem bombas que não explodiram.

Outro problema é que a infra-estrutura da região foi praticamente destruída, incluindo pontes, rede de eletricidade e o saneamento básico, além das casas propriamente ditas.

De acordo com um correspondente da BBC, Jim Muir, que estava na cidade libanesa de Bint Jbeil, onde houve violentos confrontos durante o conflito, a área está totalmente destruída.

Os únicos residentes que ele encontrou ali foram um homem e sua mulher portadora de deficiência física, que se refugiaram no hospital da cidade.

Atrito

O especialista em Diplomacia da BBC Jonathan Marcus disse que o acordo de cessar-fogo é bastante frágil.

Vários guerrilheiros do Hezbollah podem estar escondidos em áreas por onde as tropas israelenses avançaram e a possibilidade de atritos inesperados é grande, afirma Marcus.

Após o cessar-fogo, Israel afirmou que suas tropas revidarão se forem atacadas e que permanecerão no Líbano até que uma força internacional de paz tome o controle da região.

Durante o fim de semana, o líder do Hezbollah, Hassam Nasrallah, prometeu que seus militantes respeitariam o cessar-fogo, mas resistiriam a qualquer presença continuada das tropas israelense no Líbano depois que o acordo entrasse em vigor, gerando temores de novos combates.

Os ataques aéreos de Israel continuaram até 15 minutos antes do início do cessar-fogo, atingindo áreas no leste e no sul do Líbano, e pequenos incidentes foram noticiados após o fim das hostilidades.

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