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Cessar-fogo não resolverá problemas no Líbano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
É cedo demais para dizer quem "venceu" a guerra no sul do Líbano porque, apesar de um cessar-fogo, os combates podem não ter acabado. E, além disso, medidas políticas e militares que podem impedir um futuro conflito ainda têm que ser adotadas. Se estas medidas (a retirada do Hezbollah do sul do rio Litani e a retirada das forças israelenses da região, além da extensão da autoridade do governo libanês e seu Exército no sul do país, e inserção de uma numerosa força internacional) forem bem sucedidas, Israel pode dizer que, de alguma forma, venceu. O Hezbollah não teria sido esmagado mas pode ter sido contido. Mas o potencial para uma guerra de guerrilha complicada e prolongada é grande e, se ocorrer, Israel teria perdido a guerra. No Oriente Médio não é prudente julgar os acontecimentos rápido demais. Na longa batalha entre israelenses e palestinos pela posse da terra, muitos dos chamados marcos e placas que indicariam um destino final passaram e, mesmo assim, a estrada parece nunca ter fim. Nós ainda não sabemos como esta onda de combates e o subsequente cenário montado no sul do Líbano vão evoluir. Então, se isto vai acabar sendo um ponto de virada em direção à paz na fronteira de Israel com o Líbano (somando-se à paz que o país já tem com o Egito e a Jordânia) ainda é uma incógnita. Abaixo, um pouco do impacto que a medida terá nos principais envolvidos: Israel Já estão surgindo recriminações sobre a conduta da campanha israelense no sul do Líbano. No nível militar, embora tenha havido apoio generalizado em Israel para a guerra, existem dúvidas sobre a forma como ela foi realizada. A reputação das Forças de Defesa Israelenses saiu chamuscada neste conflito. Não é apenas uma questão de se as leis internacionais foram violadas pelo intenso bombardeio de áreas civis, mas de eficiência operacional. O que intrigou muitos observadores militares foi a disparidade entre a grande campanha aérea e a limitada campanha em terra. O comentarista militar israelense Zeev Schiff, do jornal israelense Haaretz, disse em dado momento que o gerenciamento da guerra foi "incompetente". E isso deve ter sido notado pelas autoridades. Foi enviado ao general encarregado do Comando do Norte um "assessor" do quartel-general depois que, aparentemente, chegou-se à conclusão de que ele não tinha sido agressivo o suficiente em terra. Foram transportados tardiamente soldados, de helicóptero, para a região do rio Litani, cerca de 20 quilômetros ao norte da fronteira israelense, mas estes soldados tiveram dificuldades. A liderança política também, parece dividida. O primeiro-ministro Ehud Olmert falou como Winston Churchill, o determinado líder britânico que conduziu o país durante a Segunda Guerra, mas não pareceu desejar uma invasão maciça. E mesmo sem ela, o Hezbollah conseguiu landar foguetes facilmente - cerca de 200 um dia antes do cessar-fogo. Os israelenses devem sentir que, como temia um ministro, o embate acabou "empatado". Mas eles provavelmente julgarão Olmert de acordo com o sucesso do que quer que se instale no sul do Líbano. Ele terá que argumentar bastante. Hezbollah O Hezbollah não foi derrotado. Embora, sua crença no impacto provocado por seus mísseis não tenha sido confirmada. O grupo pode ter feito um erro de cálculo quando capturou dois soldados israelenses, fato que provocou o ataque israelense. Desejoso apenas de usá-los para conseguir uma troca de prisioneiros, o Hezbollah acabou sob forte ataque israelense. Talvez o verdadeiro teste para o Hezbollah ainda está para vir. Como ele vai reorganizar seus redutos no sul do Líbano, onde vijarejos foram destruídos? Será que o grupo verá na presença de milhares de soldados israelenses no sul do Líbano uma oportunidade para continuar a guerra? Ou vai aceitar que sua liberdade no sul precisa acabar? Neste caso, os dias do Hezbollah como força militar podem estar contados. Líbano Os maiores perdedores foram, obviamente, os civis. Esta guerra foi mais uma agonia em uma longa lista na luta do Líbano para encontrar estabilidade e ordem. Para os que desejam que a reforma no país continuem, a sobrevivência do governo é um fato positivo. O primeiro-ministro Faoud Siniora fez uma intervenção significativa quando ofereceu o envio de 15 ml soldados do Exército libanês para o sul do país. Isto possibilitou que Israel e os Estados Unidos aceitassem um cessar-fogo mais cedo do que poderiam. Se Siniora conseguir fazer este plano funcionar, pode sair desta crise fortalecido. Mas o Líbano ainda terá que resolver a questão do Hezbollah e o quão longe o grupo irá para formar seu próprio Estado dentro do Estado. Estados Unidos Os Estados Unidos se posicionaram abertamente em favor de Israel no começo da crise, mas mudaram de tática com o prosseguimento dos combates. Ao invés de esperar até que existisse um acordo para as condições após a guerra, os Estados Unidos concordaram que poderia haver uma suspensão nos combates primeiro. A contradição foi resolvida com ginástica semântica. No primeiro estágio haveria simplesmente "um fim das hostilidades" e no segundo, um "cessar-fogo permanente". A linguagem diplomática nunca foi tão flexível. A estratégia americana tem o objetivo de enfraquecer o Hezbollah e, através disso, enfraquecer o Irã, que é o maior força de sustentação do grupo. Há dúvida sobre o cumprimento desse objetivo. França Usando sua tradicional ligação com o Líbano e suas divergências filosóficas com o governo Bush, a França é uma das poucas vencedoras visíveis desta guerra. A França manteve sua posição contra os Estados Unidos e forçou os americanos a negociarem uma resolução do Conselho de Segurança. Num contraste, a Grã-Bretanha apoio os Estados Unidos e a Alemanha ficou em algum lugar, no meio. A União Européia, em lugar nenhum. A perspectiva de uma "política externa comum" para o bloco nunca esteve tão distante. |
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