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Atualizado às: 07 de agosto, 2006 - 00h54 GMT (21h54 Brasília)
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Cessar-fogo 'não resolve crise humana no Líbano'

Refugiados em parque em Beirute
Muitos refugiados estão vivendo em parques na capital
As organizações humanitárias que atuam no Líbano advertem que mesmo que um cessa-fogo entrasse em vigor agora, a situação humana no país continuaria dramática por muito tempo.

O fim dos ataques é pedido por todas estas organizações desde o início do conflito, mas mesmo um cessar-fogo poderia provocar novos problemas para os trabalhadores humanitários.

“Sabemos que há dezenas de milhares de pessoas no sul do Líbano que não conseguiram sair de lá por causa dos bombardeios. Se houve um cessar-fogo, muito mais gente vai vir para Beirute porque há cidades no sul onde não há mais condições de se viver”, diz a funcionária da ONG Oxfam.

E atualmente as escolas de Beirute já estão completamente lotadas com refugiados e cada vez mais gente tem que ir viver em parques públicos ou em prédios abandonados na capital.

“Muitas dessas pessoas que estão vivendo como refugiadas aqui em Beirute tiveram suas casas destruídas e nem têm para onde voltar quando a guerra terminar”, diz a porta-voz da ONG Libanesa Mowatnun (Cidadãos), Rayya Badrun.

Rayya Badrun
Rayya Badrun é porta-voz de uma ONG formada por jovens libaneses após ofensiva israelense

Solidariedade

A Mowatnun foi formada nos dias que se seguiram ao início do conflito por um grupo de estudantes, da classe média libanesa, que começou a preparar duzentos sanduíches por dia para distribuir a refugiados.

Mas as necessidades cresceram rápido e atualmente – três semanas depois de iniciado o conflito – eles estão atendendo cerca de quatro mil pessoas, com distribuição de cestas de alimentos, artigos de higiene e remédios.

“Nós não trabalhamos com refugiados que estão nas escolas. As quatro mil pessoas que estamos ajudando estão abrigadas em prédios que estavam abandonados ou em casas de pessoas que aceitaram abrigar refugiados”, explica.

Ela diz que eles ainda encontram com certa facilidade as porções de arroz e feijão que distribuem na cidade – embora com os preços já mais altos. Mas comida enlatada, remédios e leite em pó para as crianças já estão em falta.

“E os colchões simplesmente acabaram. É impossível encontrar colchões para distribuir para os refugiados”, lamenta.

Refugiados em Beirute
Está ficando mais difícil encontrar colchões para refugiados, diz ONG

Segurança

A Oxfam diz que há nas principais cidades do sul do país de 60 mil a 80 mil refugiados que saíram das vilas mais bombardeadas por Israel para buscar abrigo nos centros urbanos maiores, que foram menos atacados, como Sidon e Tiro.

“Agora estas pessoas estão presas nestas cidades em uma situação dramática, porque não temos segurança e nem combustível para retirá-las de lá ou levar ajuda humanitária”, diz Shaista Aziz.

Os motoristas libaneses que estão trazendo pessoas do sul para a capital também multiplicaram seus preços: um táxi ou perua custava menos de US$ 100 antes da guerra e agora pode chegar a US$ 1.000.

Normalmente uma viagem entre Beirute e Sur leva 1h30, em cerca de 80 quilômetros de estrada. Mas com a destruição, o trajeto hoje é feito em cerca de cinco horas, por desvios que praticamente dobram a distância percorrida e sempre sob o risco de um ataque israelense.

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