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Atualizado às: 02 de agosto, 2006 - 20h26 GMT (17h26 Brasília)
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Amorim quer ir ao Líbano em busca de 'protagonismo' para Brasil

Ministro Celso Amorim depõe em comissão do Senado
Ministro disse que Brasil gostaria de ter 'protagonismo' maior
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, quer viajar para o Líbano para tentar colocar o Brasil como um interlocutor das partes envolvidas no conflito.

A afirmação foi feita num depoimento do ministro na Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado, nesta quarta-feira. O ministro foi convidado a falar aos senadores sobre a atuação do governo brasileiro no Líbano e as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Amorim disse que gostaria de ir logo, mas ainda depende da viabilização do transporte para chegar ao país. "É preciso um helicóptero, ou um avião tipo Hércules", afirmou o ministro aos jornalistas, depois do depoimento.

Ele disse que conversou nesta quarta-feira com os ministros de Relações Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, e do Líbano, Fawzi Salloukh, mas descartou a ajuda francesa na parte operacional da viagem. "O Brasil tem que ir por meios próprios, porque, senão, não teria como fazer nada", afirmou.

Conselho de Segurança

O ministro repetiu várias vezes que o Brasil gostaria de ter um "protagonismo" maior na mediação do conflito, mas que o fato de estar fora do Conselho de Segurança dificulta a ação.

"Não fazer parte do Conselho de Segurança é uma limitação efetiva. Quem decide na ONU é o Conselho e o Brasil está fora do Conselho", afirmou.

O Brasil participou do Conselho pela última vez como membro rotativo no biênio 2004-2005, representando a América Latina. Os representantes atuais da região são Argentina e Peru. A reforma do Conselho para a obtenção de uma cadeira permanente para o Brasil é o principal ponto da política externa brasileira.

Além da ambição de ganhar uma importância maior em todos os fóruns internacionais, Amorim argumenta que o Brasil se qualifica a participar dos debates sobre o conflito no Líbano, neste caso, pela grande população de origem libanesa residente no Brasil – estimada por ele em 8 milhões – e pelas dezenas de milhares – o governo não tem estimativa – de brasileiros residentes no Líbano.

"Nossa intenção é puramente pacífica", afirmou. "Não vamos lá defender poço de petróleo."

Ele disse que o Brasil tem que se fazer mais presente para que não se repita o que aconteceu na reunião realizada em Roma, na semana passada.

"Não fomos chamados. Ficamos sabendo pelas notícias", contou Amorim. Ele disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ele enviaram mensagens desejando boa sorte nas negociações ao governo italiano. "Esperamos que eles tenham entendido o recado", afirmou Amorim.

Força de paz

Amorim disse que o Brasil apóia a proposta apresentada pela França, de enviar uma força de paz da ONU para atuar no Líbano somente depois do fim das hostilidades e da promessa de um cessar-fogo duradouro através de um acordo político.

"A força de paz não pode preceder o cessar-fogo", afirmou. "A providência mais imediata deve ser o cessar-fogo, para parar imediatamente esta matança de civis", afirmou.

O chanceler disse que, além da situação política, o governo brasileiro enfrentou uma situação nova com a operação de resgate montada para retirar os brasileiros. Até agora, 2.250 brasileiros já foram retirados da zona de conflito no Líbano.

Ele lembrou aos senadores que a operação resultou numa despesa inesperada aos Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa, e pediu a aprovação de verbas extras.

Iraque

O ministro disse que o Brasil deve reabrir em breve a embaixada em Bagdá, fechada desde a Guerra do Golfo, em 1991.

O embaixador Bernardo de Azevedo Brito já foi designado para o posto, mas ainda não tem data certa para embarcar.

Ele ficará inicialmente baseado na embaixada brasileira em Amã, na Jordânia, e vai avaliar as condições de segurança para a instalação da embaixada em território iraquiano.

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