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Atualizado às: 28 de julho, 2006 - 13h38 GMT (10h38 Brasília)
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Refugiados palestinos temem novo massacre no Líbano

Pôster lembra massacre em Chatila
Poster lembra massacre de palestinos em Chatila em 1982
Nas vielas estreitas do campo de refugiados de Chatila, no sul de Beirute, vive uma das muitas lembranças dolorosas da história palestina: o assassinato de centenas de pessoas em setembro de 1982, executado por milícias cristãs com o apoio de forças israelenses que ocupavam o Líbano.

Catorze anos depois de Israel ter deixado o território libanês, o novo conflito, entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, traz temores entre os refugiados de uma repetição dos horrores do que ficou conhecido como o “massacre de Sabra e Chatila”.

Os abrigos subterrâneos do local, que durante anos não foram usados e se encheram de água e esgoto, estão sendo drenados pelos moradores do campo para estarem prontos para o uso, se necessário.

Durante a atual ação militar, os israelenses não atacaram campos palestinos. A maioria dos moradores entrevistadas pela BBC Brasil acredita que Israel vai evitar agredir os palestinos no Líbano para não incluir mais um grupo neste conflito, já muito amplo e complicado.

“Eles sabem que, se mexerem com os campos de refugiados, vai haver uma reação, e os palestinos vão se unir com os libaneses contra Israel”, disse um comandante do grupo Fatah no campo, Abu Eyad.

Trauma

Mas as análises não são suficientes para tranqüilizar os ânimos de quem sobreviveu, assistiu ou ouviu de parentes as histórias do ataques de 1982.

Mohamed Khalid tinha 13 anos de idade quando as milícias cristãs entraram em Chatila. Ele conta que foi ferido na primeira vez por um tiro no abdômem.

“Fiquei oito horas deitado no chão me fingindo de morto. De manhã, uma equipe da Cruz Vermelha me encontrou, e um cirurgião grego salvou a minha vida”, conta.

Mas, depois de sair do hospital, ele acabou ferido mais uma vez: o estilhaço de um míssil lhe tirou a visão de um dos olhos. E anos depois – ele não lembrava exatamente quando – quase perdeu o pé em um outra disputa entre grupos palestinos.

Israelenses

O massacre ocorreu após a invasão do Líbano por Israel, realizada com o objetivo de acabar com a presença no país da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat.

As forças de Israel não chegaram a atacar diretamente os palestinos, mas abriram caminho para que as milícias cristãs comandadas por Elie Hobeika fizessem o serviço.

A ação das milícias durou cerca de 36 horas, começando no dia 16 de setembro, enquanto os soldados israelenses que cercavam o campo impediam que as pessoas fugissem.

O então ministro da Defesa, Ariel Sharon, foi apontado como um dos diversos altos oficiais israelenses com “responsabilidade pessoal direta” sobre o massacre de civis.

Todas essas conclusões estão no relatório feito pela comissão Khana, estabelecida pelo governo de Israel no mesmo mês, para investigar o massacre depois que as primeiras notícias sobre ele chegaram à população israelense e provocaram um protesto com cerca de 300 mil pessoas em Tel Aviv.

Da esquerda israelense, Ariel Sharon ganhou o apelido por muito anos de o “monstro de Sabra e Chatila”, por seu envolvimento no episódio.

O número de mortos é incerto: vai de 350 a 3,5 mil, sendo que a Comissão Kahan considerou “cerca de 700 o número possivelmente mais próximo da realidade”.

O nome “massacre de Sabra e Chatila” também é questionado por alguns, já que a violência ficou concentrada principalmente em Chatila.

Sabra na verdade já era um bairro no sul de Beirute quando o campo de refugiados palestinos Chatila foi fundado pelas Nações Unidas, após a criação do Estado de Israel.

Ao longo do tempo, Sabra também passou a ser ocupada por palestinos e xiitas vindos do sul do Líbano, e a população das duas comunidades acabou na prática se misturando.

"Soldado palestino"

Mohamed Khalid diz que não tem medo, porque ele se tornou um “soldado” palestino – um militante armado do grupo Fatah – e está disposto a lutar e morrer.

Jalal al-Husseini
O médico Jalal al-Husseini teme que conflito chegue a Chatila

“Mas temo pelas pessoas daqui. Não sabemos ainda o que vai acontecer, mas estamos acostumados a ver os palestinos sofrerem, e isso pode chegar de novo até aqui”, diz.

O médico Jamal al-Hussaini acredita que os riscos para o campo de refugiados crescem dia a dia enquanto não pararem os combates entre o Hezbollah e os israelenses.

“Se as coisas entre o Hezbollah e Israel continuarem a piorar, é fatal que isto acabe chegando aqui”, diz.

E ele teme que, se o conflito atingir Chatila, vai ser muito difícil ajudar as vítimas em um lugar muito pobre, com pouco acesso a clínicas e remédios e ainda sérios problemas de saneamento que já fragilizam a população.

“Temos algumas clínicas de emergência espalhadas por aqui, mas nada em condições de atender às vítimas de um conflito”, diz o médico palestino, nascido no campo de Chatila e que estudou na Espanha e em Cuba.

Como em muitas partes do mundo – possivelmente mais do que na maior parte do mundo –, os palestinos de Chatila seguem com atenção não só o conflito no Líbano como também a violência que continua na Faixa de Gaza.

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