BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 28 de julho, 2006 - 17h00 GMT (14h00 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Apoio ao Hezbollah é grande entre palestinos do Líbano

Meninos em Chatila
Meninos palestinos brincam de atacar Israel em Chatila
Apesar de antigas inimizades entre os palestinos que vivem no Líbano e o Hezbollah, nascidas da guerra civil no país, o apoio no campo de refugiados de Chatila ao grupo xiita no atual conflito com Israel é grande.

Durante a visita da reportagem da BBC ao local, no sul de Beirute, dois meninos estavam caminhando por uma das vielas com um longo tubo de papelão sobre os ombros. Um deles tinha uma faixa verde na testa.

“Sou do Hezbollah. Estamos indo lançar este foguete contra Israel”, explicou um deles, arrancando risadas e palavras de aprovação dos adultos em volta.

A aparência do campo de refugiados, palco do massacre de centenas de civis por milícias cristãs, com apoio de tropas isralenses, em 1982, lembra muito a de uma favela brasileira.

As ruas são estreitas, num labirinto que só quem conhece bem consegue circular, e esgoto a céu aberto aparecendo em diversos pontos.

Há inclusive dezenas de bandeiras do Brasil pintadas nas paredes ou penduradas pelas janelas marcando a admiração dos palestinos pelo futebol brasileiro.

O lixo nas ruas é recolhido por equipes da Agência das Nações Unidas para Auxílio de Refugiados Palestinos, que também presta alguns outros serviços sociais e distribui comida para as famílias mais necessitadas, que são muitas.

“Normalmente a taxa de desemprego aqui passa de 60%. Agora que o conflito está dificultando a movimentação das pessoas, deve estar batendo nos 99%”, disse um funcionário da agência, que não quis se identificar por não ter autorização para falar com a imprensa.

O desemprego é um problema particularmente grave para os refugiados palestinos, porque, como não são cidadão libaneses, não têm autorização para trabalhar no Líbano.

E deixar o país também é muito difícil, porque sem um Estado eles não têm passaporte, mesmo aqueles que já são a terceira geração a viver no Líbano.

Equilíbrio delicado

Poucos países – nenhuma das nações árabes - autorizam a entrada destes palestinos com os documentos de que eles dispõem.

“Os libaneses estavam procurando gente para limpar os escombros deixados pelos ataques israelenses em Beirute. As pessoas aqui do campo que foram atrás dessas vagas foram recusadas porque não têm passaporte libanês”, conta o funcionário da ONU.

“Os libaneses não querem dar cidadania aos refugiados, porque os 400 mil palestinos sunitas formariam um bloco compacto que poderia afetar o delicado equilíbrio de poder que existe entre as muitas facções político-religiosas do Líbano”, explica.

Muitos libaneses também temem a presença dos palestinos em sua sociedade porque eles são amplamente apontados como responsáveis – em grande parte – pelo início da guerra civil que sangrou o Líbano de 1975 até 1991.

Mas agora os palestinos de Chatila estão recebendo refugiados libaneses que vieram do sul do país fugindo das bombas israelenses.

“Somos todos refugiados. Acho que essa é uma ligação profunda agora, que faz com que eles nos entendam e a gente os entenda”, diz o médico Jamal al-Hussaini

BeiruteChatila
Palestinos temem que conflito atinja campo de refugiados.
Soldado Eldad RegevOs prisioneiros
Saiba quem são os israelenses, libaneses e palestinos detidos.
Soldados da UnifilAnálise
Como deve ser a nova força de paz no Líbano?
Jornais'Yediot Aharonot'
Hezbollah faz 'escudo' de base da ONU, alertou oficial.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade