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Atualizado às: 25 de julho, 2006 - 16h38 GMT (13h38 Brasília)
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Análise: Uma nova força de paz no Líbano?

Soldados da Unifil
A nova força não pode ser muito fraca ou atuante demais
Após um início tímido, quando ela apareceu pela primeira vez no encontro do G8 com Tony Blair e Kofi Annan, a idéia de uma força internacional no Líbano ganhou força.

A crise agora está sendo considerada tão grave e a necessidade de uma solução de longo prazo tão urgente, que a proposta está sendo seriamente considerada.

Existe também a preocupação ocidental de preservar o governo libanês e tudo que puder ajudar neste sentido vale a pena ser examinado.

No entanto, algumas condições devem ser atendidas para que esta força seja bem-sucedida.

Condições

Em primeiro lugar, ela precisa ter um mandato.

Uma das propostas sugere que a força seja de natureza temporária, que atue enquanto e depois que o Hezbollah saia da fronteira e a autoridade do governo libanês seja fortalecida, com o deslocamento do Exército do país para a região.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, indicou que esta força seria usada na fronteira por dois ou três meses e depois seria expandida para o norte do país para ajudar o Exército libanês.

O objetivo seria implementar a resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em setembro de 2004.

Para que isso aconteça, no entanto, outra condição teria que ser atendida. O Hezbollah teria que concordar (junto com o governo libanês, do qual faz parte) com a retirada.

Encruzilhada

Os poderes desta força teriam que ser endossados internacionalmente e aprovados por uma nova resolução do Conselho de Segurança. Esta resolução também pediria por uma retirada israelense.

Vai ser complicado existir consenso a respeito da força. Se ela for muito forte, pode ser vista pelo Hezbollah como um inimigo.

Timor Goksel, porta-voz da atual força da ONU na região, Unifil, se manifestou a respeito, dizendo que "se ela for vista como uma força que atue contra o Hezbollah, ela vai ser considerada uma força de ocupação".

Se ela for muito fraca, não satisfará Israel. O país está determinado a não retornar para a situação que existia antes da atual onda de violência.

De onde?

Um dos pontos mais polêmicos é quem enviaria as tropas. Ninguém se prontificou até agora.

O governo libanês mencionou países europeus. Israel e os EUA parecem preferir a Otan, que tem o comando dos Estados Unidos.

A Unifil tem, no momento, cerca de 2 mil soldados na região, da China, França, Gana, Índia, Irlanda, Itália, Polônia e Ucrânia.

Alguns destes soldados podem ser reaproveitados. A Turquia também é uma possibilidade. Mas os EUA não vão participar, por motivos óbvios - 241 americanos foram mortos em um ataque suicida em Beirute em 1983, atribuído ao Hezbollah.

A Grã-Bretanha não vai participar, por já estar usando um grande número de soldados no Afeganistão e no Iraque.

O momento do envio destas tropas é importante.

No entanto, a ministra de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Margaret Beckett, disse que um cessar-fogo não deve ser condicionado ao "início das operações com força total".

História

Em 1978, Israel atacou o sul do Líbano, até o rio Litani, 20km ao norte da fronteira.

A ofensiva era contra palestinos. Militantes haviam massacrado civis israelenses em um ônibus.

Rapidamente, foi aprovada a resolução 425 do Conselho de Segurança da ONU, exigindo a retirada israelense. Ela levou 18 anos para ser atendida.

A resolução também instituiu, por um período de seis meses, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil, na sigla em inglês). A palavra ‘interina’ foi esticada ao ponto máximo.

A Unifil deveria supervisionar a retirada das forças israelenses, ajudar a restaurar a 'paz e tranquilidade' internacional e ajudar o governo libanês a recuperar 'autoridade de fato'.

Ela não conseguiu fazer nada disso. Israel ficou e estabeleceu sua própria milícia, cristã em sua maioria, conhecida como o Exército do Sul do Líbano.

A autoridade do governo libanês não foi restaurada. A Unifil não tem autoridade e não havia paz e segurança reais no país. Ela foi reduzida, na realidade, a um grupo de monitoração.

Em 1982, Israel invadiu Beirute. Aconteceram outras grandes invasões em 1993 e 1996.

No ano 2000, acossado pelo Hezbollah, Israel decidiu que já era hora de sair.

O Hezbollah assumiu o controle na área, o governo libanês não. E o Hezbollah aceitou a presença da Unifil apenas porque esta não ameaçou o grupo.

Desta vez, Israel invadiu novamente. E se fala novamente de uma força internacional, da autoridade do governo libanês a ser restaurada e da presença do Exército na fronteira.

Talvez desta vez isso aconteça, mas no Oriente Médio a história pode se repetir e isso costuma acontecer como tragédia.

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