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Atualizado às: 15 de maio, 2006 - 08h03 GMT (05h03 Brasília)
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Seus dois pence valem um milhão
Ivan Lessa
Semana passada foi uma boa para quem tem dinheiro. Se dinheiro chama dinheiro, no dia 10 de maio ele andou se esgoelando em busca de companhia. Como eu não tenho dinheiro, acompanhei a berraria e correria toda pelos jornais e pela televisão.

Limito-me à tentativa de descrever o que se passou – e passa. Tudo está valendo uma nota. Nota mais que preta: nigérrima. Os economistas, gente muito antigona, valem-se do surrado gesto de coçar a cabeça para tentar entender o que é que está se passando. Sabemos que os economistas são sempre os últimos a saber.

E o que é que está se passando? Commodities, propriedades, ações, obras de arte e metais preciosos (o ouro então, nem falar), até os selos antigos subiram de cotação. Cenas de pugilato nos grandes centros financeiros: para comprar, trocar, vender, qualquer coisa.

A nova economia

Segundo os entendidos, essa alta não tem paralelo na história da economia. Os economistas gostam de dizer que, quando sobem o preço dos produtos primários, como o café, o açúcar, a soja, o petróleo etc., enfim as tais das commodities, o mercado de ações não gosta. São inimigos figadais, como observaria o velho economista, já nosso conhecido. E por falar em velho, já andaram batizando o fenômeno de “nova economia”.

As oportunidades se sucedem para os pequenos investidores. Gente humilde feito eu, que, na última sexta-feira do mês, preenche um bilhete da loteria esportiva. Tudo se deve ao preço estratosférico a que chegou o cobre. Humilde e pobre, mas orgulhoso, recuso-me a fazer um jogo de palavras com “cobre”, o metal químico de número atômico 29, e “cobre” no sentido de granolina ou tutu. O que houve foi que, na quarta-feira, 10 de maio, o cobre bateu um recorde: chegou aos US$ 8 mil por tonelada, cortesia desses rapazes armados de celular e maus modos que jogam na bolsa das commodities e especulam no mercado de futuros.

A velha economia

Como um dos economistas antiquados a que me referi, comentei com meus botões (que, aliás, não constituem commodity em tempo algum, passado, presente ou futuro): “Minha Nossa! Eu poderia ser um homemr remediado!” Poderia mesmo. Bastava ter guardado todas as moedas de dois pence (twopence ou tuppence, como dizem) cunhadas anteriormente ao ano de 1992. Explico: é que essas moedonas costumavam ter 97% de cobre, ou seja, 6,9 g do simpático metal. 145 moedas de dois pence e eu teria um quilo de cobre. Era só ir no meu passinho, devagar e sempre, e colecionar mais 999 quilos, questão de 145 mil moedas de tuppence, para completar uma tonelada.

Em sua aparência externa, e diante da caixa atônita da agência de meu banco, eu estaria depositando diante dela 2.990 libras, algo por volta dos US$ 5.700, em seu valor apenas nominal. Fosse eu mais vivo e levasse hoje, agora, nesta semana, minha toneladazinha, a um representante do livre mercado, e teria batidos, na ficha, por volta de 4.400 libras, perfazendo, pois, um lucro de 1.500 libras, quase US$ 2.800. Isso sem falar nos 25 quilos de zinco que completam a liga com que é composta meus tuppence, minha pequena fortuna em cobre. Pois é, até o zinco, aquele que já foi do “mundo de zinco que é mangueira”, valorizou.

Fico sabendo que as moedinhas menores, as de um penny, igualmente anteriores a setembro de 1992, para ser preciso, devidamente toneladizadas, valem os mesmos – agora é inevitável – cobres.

Esbanjei uma pequena fortuna, como a cigarra daquela fábula. Agora, como o sapo de outra, coaxo – acho.

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