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Atualizado às: 05 de maio, 2006 - 08h49 GMT (05h49 Brasília)
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Ivan Lessa: Partidos e repartidos
Ivan Lessa
Eu vivo dizendo que, já que no Brasil era obrigatório votar, eu sempre ou inutilizei meu voto ou paguei a despachante para justificar minha ausência junto às devidas autoridades.

Na minha posição (política) algumas boas centenas, talvez milhares, de cidadãos. Então iam e inutilizavam o voto escrevendo na cédula impropérios descabidos ou sugerindo para vereador, deputado, senador e até mesmo presidente, Jesus Cristo.

O voto anulado era o resultado não só da incompetência do eleitor ou dos apuradores, mas também da livre e, muitas vezes, louquérrima escolha.

Sempre admirei os candidatos inúteis mas populares. Cacareco, aquele rinoceronte, foi de meu tempo. Já o macaco Simão, não. Mas, cá de longe, torci pelo bicho. Como torci por outra figura distante (me afirmam) dos zoológicos, tal do Dr. Enéias.

Essas invenções de vocês, eu também acho um sarro: "Anthony Garotinho"! Sem dúvida. Rá, rá, rá! Os perdedores natos, todas as pessoas por fora, são caras ao meu barato coração, como poderia muito bem dizer um samba do repertório de Orlando Dias, que não deve ser confundido, em hipótese alguma, mesmo longe de uma cabine indevassável, com Orlando Silva.

Mas nesta semana houve eleições locais aqui no Reino Unido. Foram escolhidos novos membros para os conselhos municipais do país. São eleições importantes. Não só para se avaliar as condições do cambaleante governo Labour, de Tony Blair, mas como pela sua própria e intransferível circunstância.

São os conselheiros municipais que decidem coisas essenciais como quem pega ou não licença para abrir um pub, como é que vai ficar a iluminação deste e daquele parque, que cuidados serão dispensados aos velhinhos, e assim por diante.

Votando com os pés

Não são apenas os três principais partidos disputando uma vaga nos conselhos: o trabalhista, o conservador, o liberal democrata. Não. Há o perigo, me asseguram 99% dos jornais, de uma votação acima do que seria razoável, para o British National Party – partido mais do que fascistóide --, em sinal de protesto contra a política e a atuação de Tony Blair e seus asseclas, conforme são chamados, ou xingados, pela oposição.

Há ainda, e como, os partidos aloprados. E levante a mão quem não sabe o que é "aloprado", ou quando foi a última vez que usou o termo. Pode, podem, abaixar. Pois é, sou daqueles velhinhos que inspiram cuidados.

Nas cédulas a serem depositadas nas urnas dentro das cabines indevassáveis (eles desconfiam, e com razão, do voto eletrônico) vamos encontrar, legalmente registrados, partidos que dão, no mínimo, respeitabilidade à diversidade da situação política na Grã-Bretanha.

Elvis indo de mensalão?

Alguns dos partidos concorrendo às vagas municipais:

O "Consensus", portador da voz responsável pela filosofia humanista. (É, eu também fiquei na mesma.)

O "Imagine", que promove menos política e mais amor. Esse é "cacareco" legítimo. Um insulto até à Yoko Ono, que manja paca de insultos.

O "World", busca, via conselhos municipais, uma democracia mundial mais participatória. Beira o dr. Enéias ou eu não peguei o espírito do "coiso"?

Os partidos "Imperial" e "Emergente", cujos nomes já dizem tudo, e o "MP3", defensor de uma tecnologia que me é alienígena. Simpático é o "Parceria Telepática", com sua ambição de instalar um computador em cada casa do país para as pessoas, mediante o aparelho, entrem em contato com os políticos atuantes mediante o uso de suas "ondas cerebrais". E por aí afora.

Confesso que não vou ficar de água na boca vendo as pessoas se encaminharem para seus postos locais, nem acompanharei com o coração na boca o resultado.

Aqui, como aí, eu iria de voto anulado ou ausência justificada, em minha velha (Cof! Cof!) tradição.

Não posso deixar, no entanto, de manifestar minha extremada simpatia pelo partido da "Igreja Militante de Elvis", cuja plataforma eleitoral parte do princípio de que Presley está vivo e morando no Oriente Médio disfarçado de xeique árabe.

Em espírito, ao menos, que é o que tenho de menos valioso, estou com eles. Mas sempre disposto a abrir, já que sou democrata. Bizarro, mas democrata.

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