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Atualizado às: 28 de abril, 2006 - 06h58 GMT (03h58 Brasília)
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Viva mais, se chateie mais
Ivan Lessa
Eu não vou viver um dia a mais além daqueles que os deuses, ou os horóscopos, já decidiram que me cabem.

A culpa, para variar, é da Universidade de Cambridge, aqui no Reino Unido, com sua mania de investir em estudos e pesquisas.

Os jornais desta semana, e as revistas especializadas, anunciaram com grande destaque que a receita para a longevidade é das mais simples e racionais: frutas, legumes, exercício, abstinência tabagística.

O estudo foi encomendado pelo equivalente britânico ao Ministério da Saúde e já começou a movimentação nas agências de publicidade, nas firmas divulgadoras e nas impressoras especializadas em folhetos, cartazes, anúncios e comerciais para rádio e televisão.

Embutido, portanto, no estudo, a saúde, ao menos econômica, de várias profissões e profissionais.

Mas ao que interessa: segundo o novo estudo, deixar de fumar dá ao agora ex-fumante (eles não dizem se é 24 horas depois do último cigarrinho) mais cinco anos de vida.

No caso deste locutor que vos digita, eu parei de fumar no dia 21 de novembro de 2001, após meio-século de feroz dedicação ao hoje imundo tubinho de tabaco.

Até agora, tudo bem, conforme na velha piada disse o camaradinha que caiu do 20º andar ao passar pelo 10º andar.

Se os astros e o destino tivessem predeterminado a minha extinção para aquele fatídico novembro, eu ganhei cinco aninhos.

Ficou combinado então que eu pegarei meu boné, baterei com as dez, sairei na horizontal, no dia 21 de novembro do ano corrente. Ou por aí.

A gente boa da Universidade de Cambridge ainda não especificou número de meses, dias e horas. Mas não perco – ninguém perde – por esperar.

A longevidade ao alcance de todos

Volto ao assunto em pauta. Novos segredos da longevidade revelados pela Universidade de Cambridge.

Pode-se somar mais três anos de vida à pessoa que não só parou de fumar como (não do verbo "comer") também come (agora sim do verbo "comer") cinco porções de fruta e pelo menos um legume por dia.

A coisa é meio mágica inclusive. Li no jornal, aberto aqui diante de mim, que mesmo aqueles que passam o dia sentadões diante da televisão ou do computador, ou espichados no sofá lendo, mesmo não mexendo um músculo, mas seguindo essa simplíssima fórmula (nem chega a ser dieta ou regime) poderá acrescentar esses anos todos ao tempo que lhes cabe cá embaixo.

Não se trata, afirma o texto, de sair por aí correndo ou se inscrever no primeiro instituto de malhação ou ginástica tradicional.

Um sedentário funcionário público, que os há aqui como aí, se der uma voltinha, uma chegada até a esquina, em passo normal, digamos, atrasará em três anos o relógio que marca suas horas entre os outros mortais (na bica, pelo que vemos, da imortalidade).

Chica-chica-boom-chic

Profissões mais glamorosas, como as de cabeleireiro (masculino ou feminino) ou comerciário, gente que trabalha de pé, precisa de apenas meia-hora para obter o mesmo resultado dos servidores públicos.

Há compensações, neste mundo de Deus e dos cientistas da Universidade de Cambridge: pedreiros, operários e torneiros mecânicos não precisam nem de caminhar ou praticar a antiga arte do "jogging".

Eles vivem uma vida esportiva saudável pela simples natureza de suas especialidades.

Não devem, no entanto, como todo mundo, se esquecer da pêra ou da maçã diária.

Sinto muito, Carmen Miranda, mas ninguém falou nada de banana ou laranja.

O impressionante é terem "sugerido" (as aspas são minhas) que essas pequenas dicas de saúde são válidas para qualquer idade, entre os 45 e os 79 anos.

Quem tiver 44 ou 80 anos, sorry, mas fica para outra encarnação.

Um último e pequenino "senão": a pesquisa foi conduzida entre 25 mil cidadãos do condado de Norfolk, aqui no Reino Unido.

Quem é de Zâmbia ou de Roraima vai ter que agüentar as ingratas pontas ou se mandar para Norfolk. Ou ficar indo de antibiótico mesmo, se conseguir emplacar uma puberdade.

Arquivo - Ivan
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