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Bush e Chávez estrelam cúpula contra instabilidade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Líderes da América Latina, dos Estados Unidos e do Canadá reúnem-se a partir desta sexta-feira em Mar Del Plata, na Argentina, com os desafios de encontrar formas para enfrentar a instabilidade política em diferentes pontos do continente, estreitar laços econômicos e comerciais, gerar empregos e reduzir conflitos sociais. A 4ª Cúpula das Américas deve ter como protagonistas os presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e da Venezuela, Hugo Chávez. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participa do encontro, mas o líder cubano Fidel Castro, não. Se a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e a criação de empregos figuram como os principais itens oficiais da reunião, o "pano de fundo", segundo analistas, é o poder de Chávez na região e a incerteza política em países da América do Sul. Caso, por exemplo, da Bolívia e do Equador, que entraram em convulsão recentemente, e do Brasil, que vive uma crise política de mais de quatro meses, como observaram especialistas ouvidos pela BBC Brasil. Governabilidade Observadores da política latino-americana afirmam que, nos últimos tempos, a palavra "governabilidade" – ou a falta dela – tem percorrido a região, o que levou o tema a encabeçar as preocupações da cúpula. Diplomatas brasileiros dizem, por exemplo, que o país acatou a proposta argentina de colocar a criação de empregos como tema principal do encontro a fim de reduzir a exclusão social e manter a governabilidade. As recentes crises políticas da Bolívia e do Equador, onde presidentes tiveram de deixar o cargo após protestos populares e que vivem situações bastante instáveis, ilustram bem esta preocupação. O cientista político Diego Bautista Urbaneja, da Universidade Central da Venezuela, acredita que a cúpula pode ajudar a melhorar a situação nestes países que vivem momentos de instabilidade. "É uma oportunidade para respaldar presidentes e governos enfraquecidos." Estados Unidos Os analistas também observam que Bush chega à cúpula num momento em que os Estados Unidos "olham para outro lado". Os americanos estão dando prioridade ao combate ao terrorismo e deixam a América Latina "num segundo plano", como afirmou Sérgio Berenztein, cientista político da Universidade Torcuato Di Tella, na Argentina. É nessa conjuntura que analistas destacam a importância do papel do Brasil, como "negociador" e "estabilizador" da região. Eles dizem que é compreensível que Bush venha dando cada vez mais destaque ao papel de Lula, até para "contra-balançar" a liderança de esquerda que vem sendo intensificada por Hugo Chávez. "Mas lamento que o governo brasileiro e o PT estejam numa crise política que parece não ter fim e que parece ter se agravado nos últimos dias com as alegações sobre o uso de dinheiro de Cuba na campanha presidencial", disse Berenztein. "Estes fatos acabam contribuindo para enfraquecer a liderança de Lula. E aí não sei nas mãos de quem ficamos." Encontros paralelos A 4ª Cúpula das Américas ocorre ao mesmo tempo que dois encontros paralelos em Mar Del Plata, cidade que fica a 404 km de Buenos Aires. Um deles reúne empresários, e o outro, chamado 3ª Cúpula dos Povos, representantes da sociedade civil. A Cúpula das Américas nasceu em 1994, quando Bill Clinton era presidente dos Estados Unidos, e a primeira edição foi realizada em Miami. Na época, a idéia principal era chegar em 2005 com a Alca em vigor. Mas agora, com a instabilidade política em alguns países da América do Sul e os americanos priorizando o combate ao terrorismo, ela pode ser adiada, sem data marcada. O secretário de comércio da Casa Branca, Carlos Gutierrez, só avisou que seu país não desistiu da Alca. E, segundo a imprensa argentina, os americanos já pressionam para que nova reunião, exclusiva para discutir o livre comércio, seja realizada em abril. |
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