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Atualizado às: 14 de janeiro, 2004 - 04h36 GMT (02h36 Brasília)
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Para analistas, cúpula sinaliza reaproximação com EUA

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush
Bush (dir.) pode estar procurando uma aproximação com o Brasil e o restante da América Latina

Analistas ouvidos pela BBC Brasil disseram que os resultados da Cúpula Extraordinária das Américas indicam uma melhora nas relações entre os Estados Unidos e os países latino-americanos, particularmente o Brasil.

Ao final da Cúpula, realizada na cidade mexicana de Monterrey, líderes de 34 países americanos assinaram a Declaração de Nuevo León, em que reconhecem a necessidade de "avançar na implementação de medidas para combater a pobreza, promover o desenvolvimento social, alcançar um crescimento econômico com eqüidade e reforçar a governabilidade de nossas democracias".

Os Estados Unidos, que em princípio queriam ver na declaração sugestões que não foram apoiadas por outros países presentes, acabaram cedendo em vários pontos.

Uma das propostas americanas era incluir no documento a menção ao mês de janeiro de 2005 como limite para o lançamento da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). A proposta não era vista com bons olhos pelo Brasil e acabou sendo removida.

"O Brasil é um país muito grande, muito importante, e (o presidente americano George W.) Bush desde o começo entendeu isso. Por isso, o fato de os Estados Unidos cederem em alguns pontos, eu acho que é bom", disse Myles Frechette, ex-presidente do Conselho das Américas e ex-cônsul-geral americano em São Paulo.

Exagero

"Isso demonstra que os Estados Unidos estão atento aos desejos e interesses da região", completou.

Miguel Diaz, diretor do Projeto para a América do Sul e Mercosul do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, acha que os resultados da cúpula só confirmam que há muito exagero no que a imprensa fala sobre a "tensão" entre Brasil e Estados Unidos.

"Podem haver problemas na área comercial", disse Diaz, "mas o nível de cooperação em outras áreas nunca esteve melhor - nas áreas de segurança, lavagem de dinheiro, e no tocante a algumas crises na região como, por exemplo, na Venezuela".

Para o analista, a Cúpula de Monterrey vai ser lembrada como um "sucesso, no sentido de que ela se concentrou nas questões certas. Comércio é parte da agenda, não é a solução integral da questão do desenvolvimento".

Todavia, para Myles Frechette, não se deve menosprezar a importância da Alca na equação.

"A coisa mais importante para os países da região são os acordos de livre comércio", disse o ex-presidente do Conselho das Américas.

"Tentar passar as coisas sociais, simplesmente, eu acho que não dá, porque muitas dessas coisas (...) dependem da vontade política de cada país."

Avanços "concretos"

Tanto Frechette quanto Diaz destacaram o fato de que a Cúpula das Américas se encerrou com avanços mais "concretos" do que em cúpulas anteriores.

Para Frechette, a maior parte desses avanços decididos dentro da cúpula "são para o benefício dos países em desenvolvimento - não para os Estados Unidos ou o Canadá".

Diaz acredita que uma das propostas concretas foi apresentada pelo presidente Bush, que anunciou que servidores públicos corruptos e seus corruptores passarão a ser proibidos de entrar os Estados Unidos.

Uma outra proposta em relação à corrupção apresentada pelos americanos - a de proibir que países americanos cujos líderes estivessem envolvidos em casos de corrupção fossem banidos de cúpulas futuras - acabou sendo retirada pelos Estados Unidos da Declaração de Nuevo León.

No texto final da documento, aceitou-se a idéia das consultas multilaterais, mas sem deixar aberta a possibilidade de sanções.

"Isso é muito complicado. Quem vai decidir que são corruptos?", disse Frechette.

Terrorismo

Nem todos os analistas concordaram que a reunião em Monterrey mostrou que os Estados Unidos estão no caminho de uma maior aproximação com os países latino-americanos em geral.

Chris Strong, pesquisador do Conselho de Assuntos Hemisféricos, de Washington, acredita que os Estados Unidos ainda tem que mostrar mais abertura às necessidades dos outros países do continente americano.

"Os países na América Latina sentem que Bush só está interessado em terrorismo e Oriente Medio", disse Strong.

"Eu espero que os Estados Unidos (...) entendam que é necessário falar não só de terrorismo ou narcotráfico - que existem muitos problemas sociais e políticos na América Latina e que os Estados Unidos precisam ajudar."

"Se isso não acontecer, vai aumentar a distância entre os países da região", concluiu o analista.

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