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Atualizado às: 12 de janeiro, 2004 - 06h53 GMT (04h53 Brasília)
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'Globalifóbicos' ofuscam início da Cúpula das Américas

Boneco representando o presidente Bush
A aguardada presença de Bush já gerou protestos

A Cúpula Extraordinária das Américas, em Monterrey, no México será aberta oficialmente às 17h30 desta segunda feira (hora local, 21h30 em Brasília) com a participação de 34 chefes de governo – presidentes e primeiros-ministros – de 34 países do continente americano.

Foi montado na cidade um forte esquema de segurança com reforço de milhares de policiais e bloqueio de ruas, devido a temores de manifestações de "globalifóbicos" – forma como os mexicanos se referem aos militantes antiglobalização.

Na segunda-feira, uma série de protestos está convocada em Monterrey. O principal deles vai acontecer a partir das 16h (hora local, 20h em Brasília) no centro da cidade.

Em meio aos protestos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como diversos chefes de Estado, têm uma agenda cheia de reuniões bilaterais.

Lula já está em Monterrey e as 15h30 encontra-se com o presidente do Equador Lúcio Gutierrez.

Estes encontros são apontados por analistas e diplomatas como os eventos mais importantes em uma cúpula como essa, que em geral produz documentos de poucos efeitos práticos ou compromissos objetivos.

"As declarações de intenções políticas que saem destas reuniões são importantes, mas também é essencial a oportunidade para que os diferentes líderes dos países americanos possam fazer seus contatos e discutir questões de interesse de seus países", disse a coordenadora executiva da unidade para promoção da democracia da Organização dos Estados Americanos (OEA), Elizabeth Spehar.

Ela observa que 14 chefes de governo – entre eles o presidente Lula – estão vindo pela primeira vez a uma Cúpula das Américas, porque ainda não estavam no poder em 2001, quando aconteceu o último encontro, em Miami.

Democracia

A Cúpula extraordinária foi convocada este ano para discutir temas de desenvolvimento econômico, desenvolvimento social, combate à pobreza, promoção da democracia e combate à corrupção.

“Estamos vendo como aspectos não econômicos nem comerciais têm uma importância essencial no desenvolvimento e são estes assuntos que vão guiar nosso trabalhos”, disse o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria.

Mas no fim das contas o tema que acabou dominando os dias de preparação para o encontro foi a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Países como os Estados Unidos, Canadá, México e Chile querem que o assunto seja contemplado na declaração final da Cúpula, enquanto Brasil e Venezuela se opõem à idéia.

Os 34 líderes do Continente tem uma reunião de trabalho na segunda-feira e outras duas na terça-feira.

Uma entrevista coletiva conjunta deve encerrar o evento às 16h00 (hora local, 20h em Brasília) da terça-feira.

Segurança

As ruas ao redor dos locais onde haverá atividades – a Arena de Monterrey e a Pinacoteca – foram fechadas e milhares de policiais foram destacados para fazer a segurança dos governantes, funcionários e jornalistas que chegaram à cidade de mais de três milhões de habitantes.

Também as ruas ao redor dos principais hotéis de Monterrey foram fechadas ao trânsito.

Só entra quem estiver credenciado para os eventos e os seguranças fazem questão de checar com atenção os documentos de todos que passam.

Protestos

Mas mesmo de longe, os manifestantes fazem questão de marcar suas posições.

No domingo – antes do início oficial da reunião – o Partido do Trabalho (PT) do México realizou um protesto nas ruas centrais da cidade que contou com cerca de 1,5 mil pessoas.

“Acreditamos que o projeto da Alca têm como objetivo perpetuar o sistema de exploração que existe no mundo e não promover um desenvolvimento justo de todos os povos”, disse o presidente do partido, Alberto Anadia.

De manhã, o Greenpeace também realizou um protesto contra a ausência de referência ao tema das mudanças climáticas.

A faixa com os dizeres “a mudança climática é uma arma de destruição em massa” e um ator usando uma máscara de George W. Bush chamaram a atenção das pessoas que passavam pelas ruas do centro de Monterrey, mas poucas participaram do protesto, que acabou com mais jornalistas e policiais do que manifestantes.

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