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Atualizado às: 17 de novembro, 2003 - 12h59 GMT (10h59 Brasília)
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Multinacionais criticam nova proposta de Alca 'à la carte'

O representante de comércio dos Estados Unidos, Richard Zoellick
Zoellick “amenizou” posição americana junto com o Brasil

Não faltam críticas à proposta da Alca (Área de Livre Comércio das América) no grupo de representantes de multinacionais que participam do Fórum Empresarial da Alca, em Miami.

Cerca de mil empresários e executivos dos 34 países que negociam o que pode ser o maior bloco comercial do mundo participam do evento no hotel Hyatt-Regency, que funciona como fórum paralelo às negociações oficiais.

Os ataques à proposta, resultado de um acordo entre Estados Unidos e Brasil, partem principalmente de representantes de multinacionais frustrados com a retirada de temas da mesa de negociação considerados por eles fundamentais para uma área de livre comércio.

A Alca ideal para esse grupo teria, por exemplo, regras comuns sobre investimentos, protegendo investidores estrangeiros no novo bloco, e também normas regulamentando a propriedade intelectuais. Mas esses temas, por pressão do Brasil, acabaram saindo da pauta de negociações da nova proposta que foi apresentada no sábado.

A La Carte

Essa proposta, que já está sendo chamada de “Alca à la carte” (porque oferece um cardápio e cada país escolhe que pontos quer negociar) é vista por muitos como uma vitória da diplomacia brasileira.

Mas, para muitos representantes da comunidade empresarial americana, o novo acordo é visto como uma derrota.

“A saída, agora, parecem ser as negociações bilaterais, mas vamos continuar fazendo pressão para alcançar um acordo de verdade. Como está sendo negociada agora, a Alca perdeu o sentido”, disse a representante de uma empresa multinacional de telecomunicações, que não quis se identificar.

“Para proteger os subsídios aos agricultores, o governo acabou cedendo em pontos fundamentais do acordo”, acrescentou.

Ela se refere à queda de braço entre Brasil e Estados Unidos que antecedeu a apresentação da nova proposta às delegações em Miami, no sábado.

 A Alca que está sendo negociada é fraca se considerarmos os interesses das multinacionais americanas. É também muito fraca se for comparada a outros acordos como o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).

Eduardo Gamarra, diretor do Centro de América Latina e Caribe da Universidade Internacional da Flórida

Para fechar essa proposta, as duas principais forças da Alca selaram uma trégua depois de meses trocando acusações sobre o fracasso das negociações de Cancún, no México.

Alca “fraca”

Por um lado, o Brasil aceitou que os subsídios à produção, concedidos a agricultores americanos – que prejudicam, por exemplo, as exportações brasileiras de açúcar para os Estados Unidos – saíssem da mesa de negociações.

Por outro, os Estados Unidos concordaram em tirar das negociações temas polêmicos que poderiam levar a reunião a mais um impasse.

Entre esses temas estão justamente alguns dos assuntos mais importantes às multinacionais americanas, como as regras de proteção às multinacionais americanas e aos investimentos.

“A Alca que está sendo negociada é fraca se considerarmos os interesses das multinacionais americanas. É também muito fraca se for comparada a outros acordos como o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte)”, disse Eduardo Gamarra, diretor do Centro de América Latina e Caribe da Universidade Internacional da Flórida.

“Mas, se lembrarmos que, até pouco tempo, muitos acreditavam que Miami fosse repetir o fracasso de Cancún, não há como concluir que uma Alca fraca, agora, é melhor do que nada. Os empresários americanos precisam ter paciência”, acrescentou Gamarra.

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