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Para secretário dos EUA, Alca é destino das Américas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Carlos Gutiérrez, disse que o destino do hemisfério é ser integrado pela Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "Se não for este ano, será no próximo. Ou daqui a cinco anos ou em dez ou vinte anos. Mas um dia, devemos reconhecer, seremos mais fortes se estivermos todos unidos", afirmou. Gutiérrez avisou que o governo do presidente George W. Bush vai continuar insistindo até que um dia a Alca seja realidade. O secretário americano falou durante o Encontro Hemisfério do Setor Privado, realizado, nesta quarta-feira, na capital argentina, dentro da agenda da 4ª Cúpula das Américas. A Alca é um dos temas polêmicos das discussões que estão sendo realizadas por diplomatas no balneário de Mar del Plata, onde chefes de Estado e de governo de 34 países começarão a chegar nesta quinta-feira, para reuniões na sexta e no sábado. O encontro do setor privado contou com a presença de empresários da maioria dos países do hemisfério. As observações e metas dos seus participantes, de diversos setores, serão entregues aos chefes de Estado e de governo na sexta-feira, em Mar del Plata, a 400 quilômetros da capital argentina. O tema central da Cúpula é a geração de trabalho, mas existem diferenças, entre autoridades e iniciativa privada, de como concretizá-la. Discurso em espanhol Nascido em Cuba e com formação em administração de empresas no México, Gutiérrez falou em espanhol e fez um discurso que mereceu apoio dos empresários americanos que participaram da reunião. Mas ele ouviu palavras mais cautelosas dos argentinos, por exemplo. "O livre comércio ajuda no crescimento das economias e livra os povos da pobreza", afirmou o secretário do governo Bush. "Os governos criam condições e as regras, preparam o terreno (para os investimentos). Mas a força do crescimento de um país é o setor privado", destacou. Gutiérrez falou da trajetória da expansão da economia dos Estados Unidos, com 3,6% de aumento no último trimestre, e da queda, afirmou, de 5,1% nas taxas de desemprego, nesse período. "Hoje, existem mais americanos com trabalho do que em qualquer outro momento da história", disse, justificando a importância da produtividade e do livre comércio. Gutiérrez citou o Chile como um exemplo dos benefícios da abertura omercial. "O Chile cresceu de uma maneira impressionante depois do acordo de livre comércio com os Estados Unidos", ressaltou. "O Produto Interno Bruto do Chile cresceu 1,5% mais do que se não tivesse aberto seu comércio", argumentou. Gutiérrez citou ainda dados sobre o Nafta para reforçar a sua defesa sobre a importância da criação da Alca. "Desde 1994, depois deste acordo de livre comércio, Estados Unidos cresceram 44%, Canadá 46% e o México 40%", insistiu. Com um discurso mais cauteloso, o presidente da União Industrial Argentina (UIA), Héctor Méndez, defendeu que os governos dêem incentivos aos empresários para que estes possam aumentar a produtividade. "Os acordos comerciais com terceiros países são importantíssimos, mas é preciso reconhecer as assimetrias entre as diferentes economias." Segundo Méndez, este "incentivo", que não explicou de que forma seria concedido, é fundamental para gerar empregos. O presidente do Encontro Hemisférico do Setor Privado, o argentino Ernesto Gutiérrez – que também é o presidente da concessionária Aeroportos Argentina 2000 –, defendeu a flexibilização dos contratos de trabalho, como saída para gerar trabalho. A mesma defesa foi feita por John Murphy, vice-presidente de Assuntos do Hemifério Ocidental da Câmara de Comércio dos Estados Unidos. "O comércio é um dos motores do crescimento e da geração de empregos. Quem tiver dúvidas, que olhe para os chineses", atacou. A reunião dos empresários, que contou ainda com autoridades argentinas e americanas, foi realizada no hotel Hilton do bairro de Porto Madero, em Buenos Aires. Tensões A poucas horas do início do encontro dos chefe de Estado e de governo, em Mar del Plata, Buenos Aires voltou a ter um dia tenso com disputas entre servidores públicos e seguranças. Desta vez, os distúrbios foram na localidade de Avellaneda, na Grande Buenos Aires. Houve tiros, flagrados pelas câmeras de televisão, que provocaram correria e deixaram três feridos. O fato ocorreu um dia depois que a estação de trens de Haedo, em Morón, também na Grande Buenos Aires, foi incendiada e grupos de manifestantes agrediram policiais e jornalistas a pedradas. O clima tenso da terça-feira levou o ministro do Interior, Aníbal Fernández, a insinuar que o episódio foi "armado". A agrupação "Quebracho" revindicou as agressões e justificou que foram contra as "empresas privatizadas" e a "visita de George W. Bush ao país". |
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