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Investigadores dos ataques em Madri são enviados a Londres | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma enorme investigação forense e de inteligência está ocorrendo neste sábado em Londres depois dos ataques de quinta-feira, que mataram mais de 50 pessoas e feriram mais de 700. Uma equipe da Espanha está a caminho de Londres, trazendo para a cidade investigadores dos atentados em Madri (março 2003) para ajudar na busca por pistas. Enquanto isso, a polícia ainda busca corpos sob os escombros da explosão que aconteceu entre as estações de King's Cross e Russell Square. O túnel é muito fundo e pouco seguro, segundo a polícia. A polícia trabalha ainda para estabelecer a hora exata que as quatro bombas foram detonadas. As autoridades investigam informações de que as bombas de quinta-feira foram detonadas em intervalos de cinco minutos, e não de 25 minutos, como inicialmente acreditava a polícia. Equipes forenses que trabalham nos trilhos do metrô e outros locais dos atentados estão tentando estabelecer que tipo de explosivos foram usados nos ataques. O teto do ônibus da linha 30, que explodiu na praça de Tavistock (centro), foi retirado do local para avaliações. "Os próximos dias serão de muito trabalho", disse na madrugada deste sábado um porta-voz da Polícia Metropolitana Londrina. Os policiais da cidade também realizam uma das maiores buscas já realizadas no mundo por suspeitos de um crime, analisando as câmeras da polícia espalhadas por toda Londres (CCTV). Bombas Uma linha anti-terrorismo foi estabelecida por meio da qual pessoas podem ligar para falar sobre suspeitos. O chefe da polícia disse ainda que as forças de segurança da capital britânica vão mostrar uma "determinação implacável" para encontrar os autores dos quatro ataques, que também deixaram mais de 700 feridos. Segundo ele, o horário dos ataques descarta a possibilidade de apenas uma pessoa ter realizado todos eles sozinha. De acordo com o especialista em defesa da BBC Frank Gardner, ainda há várias questões a serem investigadas. "Uma das mais importantes é saber se se tratam de terroristas britânicos ou vindos de fora especialmente para os ataques", diz. O especialista acredita que uma das possibilidades é que o construtor da bomba seja um expert vindo de fora que instruiu os detonadores da bomba. Outra investigação consiste em saber se os responsáveis pelo ataque estão diretamente ligados à rede al-Qaeda, de Osama Bin Laden. "O profissionalismo dos ataques indica que eles podem ter ligações com o alto comando da organização", diz Gardner. O correspondente afirma que a cooperação internacional está sendo grande nas investigações em Londres, envolvendo profissionais americanos, europeus, do Oriente Médio e do sul da Ásia. Segundo Andy Hayman, especialista de Operações da Polícia Metropolitana, exames dos peritos indicam que cada uma das bombas tinha cerca de 4,5 kg. Ele disse que ainda não se sabe como os artefatos foram detonados. O jornal The New York Times citou na sexta-feira fontes próximas à investigação que teriam dito que foram usados timers para detonar as bombas, o que descartaria a hipótese de militantes suicidas. Números A Scotland Yard confirmou neste sábado que sete pessoas morreram na explosão na estação de Liverpool Street, outras sete em Edgware Road, 13 na explosão do ônibus em Tavistock Square e pelo menos 21 na explosão em Kings Cross. Uma 49ª pessoa morreu no hospital mais tarde. Há cerca de 700 feridos, 350 pessoas internadas sendo que 22 em estado grave. O ministro da Justiça, Charles Clarke, disse na sexta-feira que a expectativa é que o número de mortos aumente. Além de britânicos, também estão entre as vítimas cidadãos de Serra Leoa, Austrália, Portugal, Polônia e China. O ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, afirmou que os ataques têm características da organização Al-Qaeda, do dissidente saudita Osama Bin Laden. Straw não forneceu bases para as suas alegações, mas, na sua posição, ele tem acesso privilegiado a informações do MI6, o serviço secreto da Grã-Bretanha. Um grupo chamado Organização da Al-Qaeda Jihad na Europa, até então desconhecido, reivindicou responsabilidade pelo ataque em uma página da internet, mas a sua autenticidade não pôde ser verificada. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, atribuiu a culpa a "terroristas" poucas horas depois das explosões. Tony Blair estava na Escócia na hora dos ataques para liderar a reunião do G8 (grupos de sete dos países mais ricos do mundo e a Rússia) e voltou para Londres, onde prometeu "a mais intensa ação" da parte da polícia e dos outros serviços de segurança para levar os responsáveis à Justiça. Segundo o primeiro-ministro, que voltou à Escócia no fim do dia, os responsáveis atacaram em nome do Islã, mas a maioria dos muçulmanos são pessoas "decentes" que reprovam o terrorismo e não serão intimidadas. O prefeito de Londres, Ken Livingstone, disse que acreditava há muito tempo que um ataque à cidade era inevitável e que os serviços de emergência trabalharam como "um relógio" devido ao plano estabelecido. Ele também disse que será criado um fundo de ajuda às vítimas dos ataques. Normalidade Após os distúrbios causados por toda a cidade na quinta-feira, a maior parte do sistema de transporte na capital britânica já voltou à normalidade, embora três linhas de metrô e algumas estações permaneçam fechadas. O metrô é usado por cerca de três milhões de pessoas diariamente na cidade. Os ônibus também estão operando normalmente, exceto nas proximidades das áreas onde ocorreram as explosões. |
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