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Votar é torcer | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Terça-feira à noite, o Chelsea jogou contra o Liverpool, no campo deste último. O Chelsea, além de ser parte do bairro em que moro, tem as camisas azuis e o Liverpool vermelhas. Para mim, o azul é uma cor mais bonita que a vermelha, embora camisa vermelha me lembre o América, que sempre contou com minha simpatia, embora meu coração tenha sempre pertencido ao chamado “Glorioso”, ou seja, o Botafogo, que, neste ano, por uma extraordinária coincidência (embora eu não saiba com que tenha coincidido), completou 100 anos de existência. O Chelsea perdeu por 1 a 0 com um gol danado de maroto que daria, nos meus bons tempos, em tremendo bate-boca em botequim, não sendo descartada a possibilidade de socos e pontapés. Agora, o time milionário, que sofre o aconselhamento técnico de um popular português, José Mourinho, e padece das benesses financeiras de um multi-milionário russo, Roman Abramovich, está fora das finais que decidirão quem será o campeão da Liga dos Campeões europeus. Em seu lugar, jogará a brava e endiabrada rapaziada do Liverpool. Ninguém chama aqueles homens de “brava rapaziada”, mas assim invento para tornar a equipe mais interessante e me transportar a meu passado brasileiro, como se eu tivesse um e dele me lembrasse e sentisse falta ou qualquer coisa. Ah, sim, um pequeno detalhe: em todos os times de futebol da Grã-Bretanha, entre jogadores, técnicos e donos, há apenas dois jogadores nascidos nestas ilhas: Wayne Rooney e um cabeçudo de sobrenome Owen, Michael, acho, que joga no Real Madrid. Exagero, evidentemente. Mas futebol é feito exatamente para isso: para a gente exagerar. Exagerar em tudo. Como um político prometendo coisas ao eleitorado. E chego, finalmente, ao final do jogo, com os descontos já disputados. Perdi. Perdi como o Chelsea. As eleições vieram, a campanha durou suas 4 semanas de praxe, os votos foram contados (ou ainda estão sendo; o sistema é simpaticamente antigão), os vencedores se sagraram vencedores e o povão, em casa e nas ruas, ao contrário do futebol, nem pensa o pior da mãe de um bandeirinha. Eleição aqui falta um condimento qualquer, um fator extra. Talvez, para voltar, se lá estive, à analogia com o futebol, talvez falte candidatos e eleitores imigrantes e asilados. O nível só aumentaria. Esta é minha exclusiva opinião e de todos aqueles que discutiram – coitados! – a questão conforme a respectiva posição de cada partido. |
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