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Alegre esbofetear | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
É a última moda da garotada aqui na Grã-Bretanha. Não, não custa caro. Os turistas amigos não vão encontrar nas boas, ou más, lojas de Oxford Street. No entanto, nada impede que eles venham a fazer parte dela, embora contra sua vontade. Se o distinto, ou a distinta, estiver apreciando o suéter de cashmere na vitrina da John Lewis ou da Selfridge's e, de repente, surgir um bando de garotos e garotas, armados de celulares, e começar a cair de tapa, tabefe e bofetada em cima, parabéns, o senhor e a senhora ou senhorita acabou de entrar para a mais recente voga destas ilhas: foi vítima do “happy slapping”, que traduzo, a trancos e barrancos, por “alegre esbofetear”. Além do mais, a prazerosa cena foi registrada nos celulares dos brincalhões graças à mais recente tecnologia. Tudo começou, fico sabendo pelos jornais, nos elevados e cultivados meios da música popular. Para ser preciso, quando do auge do que é aqui conhecido como “garage music”, que aí, quero crer, não é “música de garagem” mas “garage music” mesmo, já que não aceitamos intermediários – ou é a coisa autêntica ou taca axé ou bossa nova neles. Começou em Londres, nas tais festas, passou para a hora do recreio das escolas e colégios, deixou a capital e espalhou-se pelo país. Quatro ou cinco garotos, muitas vezes com garotas no meio, cercam o contemplado e entram de bofetada registrando a cena no tal celular incrementado que já mencionei. Esse o entretenimento em seu estado mais puro. Acabou em assalto também. Depois do ritual do tapa – sempre às gargalhadas –, vem um, ou uma, e leva a carteira do parceiro passivo no hodierno ritual de passagem do adolescente, ou mesmo pré-adolescente. Nos últimos seis meses, só aqui em Londres, no metrô, as câmeras de circuito fechado mostraram mais de 200 casos de “alegre esbofetear”. Não dá para pegar os brincalhões. Pior: as vítimas na maior parte dos casos se recusam a dar queixa. Por pior que fosse, como moda, eu preferia bambolê, em matéria de brincadeira, e Jerry Adriani, na música. |
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