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Atualizado às: 14 de março, 2005 - 13h10 GMT (10h10 Brasília)
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O bom Bono Mundial
Ivan Lessa
Não posso dizer que seja fã de Paul Hewson. Pouquíssimas pessoas são.

Agora, basta dizer que Paul Hewson é o nome de pia batismal do roqueiro Bono, para darem pulos aquelas e aqueles que nós, no Brasil, já chamamos de "macacas de auditório".

Bono é o bom, afirmam-me. Como cantor principal, compositor, líder de banda e humanitarista extremado.

O ativista, orador e roteirista cinematográfico, acostumado a ser fotografado ao lado de nomes de grande projeção dos mundos da política e da economia, tudo gente empenhada em acudir aquele que já foi chamado de Terceiro Mundo, Mundo Subdesenvolvido e "Um Horror!".

Na verdade, são os Tony Blair e os papas que são fotografados a seu lado. Por trás de seus óculos escuros, destinados a ocultar a sempiterna lágrima de piedade que ameaça correr pela sua face, Bono discursa com desenvoltura sobre os problemas alimentares da África, do Oriente Médio e – quem sabe? – com sorte até mesmo de nossos pobres nordestinos, nossos irmãos e companheiros menos privilegiados, conforme exige e é de bom tom apodá-los.

Apodar é o mínimo que se pode fazer por um pobre desgraçado, doente e com fome.

O Bono artista eu só conheço daquela faixa de um CD de duetos que foi gravada, pelo telefone, com o – acho, ou parece – cadáver de Frank Sinatra, I've Got You Under My Skin, para mal dos pecados do pobre do Cole Porter.

Os jovens e os economistas, essas duas raças tão semelhantes, apreciam-no, deduzo de minhas leituras jornalísticas.

Vejo agora, em notícia de primeira página, que o bom Bono é cotado para a presidência do Banco Mundial, em junho, quando deverá se demitir o atual presidente, James Wolfensohn.

O governo de George Bush, mediante porta-voz, porém sem bateria e guitarra elétrica, informou que a nomeação não é uma improbabilidade. Outras bandas, digo, outras personalidades ilustres, também demonstraram aprovação.

Discordo. Bono, como bom multimilionário irlandês, nacionalidade que não abandonou, apesar de suas propriedades mundo afora, não entende nada de dinheiro.

Viagem humanitária e pose ao lado de alta autoridade e baixa miséria, sim. Dinheiro, não.

Bono não paga imposto de renda. É assim na Irlanda.

Todo dinheiro auferido com obra de arte (e os CDs de Bono, do conjunto U2, o são, não é mesmo?) é livre de imposto de renda. Presidente de Banco Mundial tem que entender de dinheiro.

Só se entende de dinheiro pagando imposto. Sugiro, para o posto, um roqueiro que, ao menos, pague o raio do imposto de renda.

Arquivo - Ivan
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