BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 02 de março, 2005 - 08h29 GMT (05h29 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Binges e Pifões
Ivan Lessa
Eu vou beber até cair no chão. Eu vou tomar um porre federal. Eu vou tomar um pifão. Eu vou tomar uma tremenda bebedeira.

Claro que não é uma boa idéia. Na minha idade ou qualquer outra.

O melhor é beber devagarzinho, saboreando cada gole. Mesmo que seja de água de coco com uísque.

Isso tudo me vem à mente porque, pelas ruas e bares destas ilhas, o fenômeno do “binge drinking” não sai dos jornais, continua na pauta dos senhores legisladores e, vez por outra, ocorre na esquina de minha casa.

"Binge drinking”. Definamos. Trata-se de consumir o máximo de bebida alcoólica no mínimo de tempo possível.

A avidez daqueles que não sabem e – sou capaz de jurar – não gostam de beber.

O objetivo é aquele que especifiquei no início deste papo: beber até cair no chão etc.

Os ingleses são o único povo que conheço que pratica a nefanda abominação do “binge drinking”. Ao que parece, os franceses, os alemães e até os finlandeses bebem mais. Mas espaçando mais os goles.

Depois, não vão para as ruas ou ficam zanzando pelos arredores dos metrôs aborrecendo os passantes (mais) sóbrios e vomitando a alma para dar trabalho aos serviços de limpeza na manhã seguinte.

Apesar do governo trabalhista ter obtido novos poderes para lidar com o fenômeno britânico, hoje em dia mais popular que o chá das cinco, a polícia, em quatro anos, só conseguiu processar um único e solitário “bingador”, se me permitem cunhar e contribuir com um anglicismo para engrandecer nossa língua, embora cruzando os dedos para que a moda não pegue aí – a moda da bebedeira relâmpago imoderada.

O pobre do coitado não tinha mais nem pernas para se mandar e, bêbado burro, deve ter confessado tudo na delegacia: “Sim, senhor! Eu sou um “bingador” com muito orgulho e quebro a cara de quem se meter comigo!”, imagino que tenha dito.

Tentam explicar o fenômeno dizendo que é porque os lugares que servem bebida têm hora para abrir e fechar. Que a solução é deixar que todo mundo possa beber o tempo todo todos os dias, se assim quiser. No lo creo, como dizem os abstêmios venezuelanos.

A única explicação razoável é o amor dos britânicos pela tradição. Quanto ao fato de filme com Brad Pitt ter pego por aqui, é a exceção que confirma a regra.

Arquivo - Ivan
Leia as colunas anteriores escritas por Ivan Lessa.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade