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Binges e Pifões | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Eu vou beber até cair no chão. Eu vou tomar um porre federal. Eu vou tomar um pifão. Eu vou tomar uma tremenda bebedeira. Claro que não é uma boa idéia. Na minha idade ou qualquer outra. O melhor é beber devagarzinho, saboreando cada gole. Mesmo que seja de água de coco com uísque. Isso tudo me vem à mente porque, pelas ruas e bares destas ilhas, o fenômeno do “binge drinking” não sai dos jornais, continua na pauta dos senhores legisladores e, vez por outra, ocorre na esquina de minha casa. "Binge drinking”. Definamos. Trata-se de consumir o máximo de bebida alcoólica no mínimo de tempo possível. A avidez daqueles que não sabem e – sou capaz de jurar – não gostam de beber. O objetivo é aquele que especifiquei no início deste papo: beber até cair no chão etc. Os ingleses são o único povo que conheço que pratica a nefanda abominação do “binge drinking”. Ao que parece, os franceses, os alemães e até os finlandeses bebem mais. Mas espaçando mais os goles. Depois, não vão para as ruas ou ficam zanzando pelos arredores dos metrôs aborrecendo os passantes (mais) sóbrios e vomitando a alma para dar trabalho aos serviços de limpeza na manhã seguinte. Apesar do governo trabalhista ter obtido novos poderes para lidar com o fenômeno britânico, hoje em dia mais popular que o chá das cinco, a polícia, em quatro anos, só conseguiu processar um único e solitário “bingador”, se me permitem cunhar e contribuir com um anglicismo para engrandecer nossa língua, embora cruzando os dedos para que a moda não pegue aí – a moda da bebedeira relâmpago imoderada. O pobre do coitado não tinha mais nem pernas para se mandar e, bêbado burro, deve ter confessado tudo na delegacia: “Sim, senhor! Eu sou um “bingador” com muito orgulho e quebro a cara de quem se meter comigo!”, imagino que tenha dito. Tentam explicar o fenômeno dizendo que é porque os lugares que servem bebida têm hora para abrir e fechar. Que a solução é deixar que todo mundo possa beber o tempo todo todos os dias, se assim quiser. No lo creo, como dizem os abstêmios venezuelanos. A única explicação razoável é o amor dos britânicos pela tradição. Quanto ao fato de filme com Brad Pitt ter pego por aqui, é a exceção que confirma a regra. |
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