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Macbeth, o Bom | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Todos nós sabemos que Macbeth, rei dos escoceses, era mau caráter. Ambicioso de morrer – e matar. Assassino, pois. Tipo fraco, totalmente dominado pela senhora sua esposa, Dona Rainha, que, por sinal, era também uma peste instigadora do que há de pior no mundo. Nem é preciso tese para mostrar que Macbeth fazia tudo que sua cara-metade insinuava. Até apunhalar outro rei para chegar ao trono. Nem todos sabem que Macbeth não foi fruto amargo da imaginação de Shakespeare. Longevidade Macbeth existiu mesmo e, neste ano, estaria completando mil anos de idade se, entre seus dotes, estivesse também o da excessiva longevidade. Um pequeno parêntese: nos meios teatrais, ninguém se atreve a pronunciar o nome do homem – só dizem "a peça escocesa". Corre que dá azar. Feito no Brasil: em certos meios, não dizem o nome daquele homem de chapéu, residente na França, e que teria dado asas ao homem, conforme atestam vários livros e notas de diversos valores. Toc, toc, toc, pé de pato mangalô treis veis – para dar um toque popular à história. Fecha parêntese. Professores e estudiosos, entre eles John Beatty, da City University de Nova York, promovem agora, em meio a esse tumulto de reivindicações e protestos, que 2005 deveria ser o ano de Macbeth, e não da baleia, do pracinha americano no Iraque, ou dos presos em Guantánamo. Isso porque foram desencavar em tomos obscuros que Macbeth reinou durante 17 anos, só fez coisa boa, e não distribuiu energia ou abriu estradas, na região que dominava na Escócia, porque ainda não havia dessas frescuras. A vida era para homem cabra-macho, sô! A culpa toda é da língua e da pena ferina do Bardo Imortal, do Cisne de Avon, também conhecido pela alcunha de Shakespeare. Vinte deputados do parlamento escocês já apresentaram uma moção reivindicando a recuperação póstuma de Macbeth, que, a partir de seu milésimo aniversário, passaria a se chamar de Macbeth, o Bom. |
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