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Shows de irrealidade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Semana passada acabou aqui a quarta ou quinta edição do Big Brother local. Eu que sou meio por sobre o telemaníaco confesso que o formato, conforme dizem os entendidos, nunca me disse nada. Chamam-se "reality shows" esses que viraram verdadeira praga mundial. Não sou fã de realidade. Ela me parece excessivamente pretensiosa e falta-lhe caráter para manter uma relação equilibrada com a maior parte das pessoas. Irrealidade é muito melhor. Com ela é mais fácil se entender, dá para se tirar uma folga dessa loucura que é passar dia após dia no mundo burro e agressivo dos homens. À televisão peço apenas: mandem-me o implausível, o inverossímil e o improvável que eu traço. Obrigado. Ficando no tema desagradável de hoje. Também acabou, e espero que não volte, outra série supostamente com elos presos à realidade, um tal de Vote For Me, ou "Vote em Mim" (ou ainda "Vote Nimim", né?). O negócio era o seguinte: os diversos candidatos se apresentavam a um corpo de juízes constituído de figuras vagamente ligadas à triste profissão da política e, então, em vez de cantarem Na Baixa do Sapateiro, como nos bons tempos da Hora do Pato ou do Calouros em Desfile, apresentavam suas plataformas, seus programas políticos. Exato. Vocês aí já notaram a rara infelicidade da idéia. Agora, cruzem os dedos e peçam ao santinho de vossa predileção que o esquema não chegue aí. Quem ganhou a primeira e última edição da série (espero) foi um cavalheiro por nome Rodney Hylton-Potts que, untuosamente e na melhor empostação demagógica, defendeu o fim de todas as imigrações para a Grã-Bretanha, o mesmo para os que aqui buscam asilo e, para enfeitar o bolo, a castração sumária de pedófilos. O candidato foi para o trono, com o voto popular pelo telefone e o auxílio do corpo de juízes. Só depois é que os jornais deram: o vencedor nessas urnas, nessa escrutinação de faz-de-conta, mr. Hylton-Potts, tem maus antecedentes: serviu cinco anos de prisão por fraude. Nesse ponto, o real e o irreal se fundem, estamos a um passo da dura verdade que é a vida sob o jugo dos homens públicos, também conhecidos, nas rodas maldosas, como "garotos de programa". |
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