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Atualizado às: 10 de janeiro, 2005 - 10h54 GMT (08h54 Brasília)
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Silêncio de um minuto
Ivan Lessa
Nelson Rodrigues tinha aquele personagem tão mau caráter que vaiava até minuto de silêncio antes do jogo no Maracanã. Noel Rosa compôs um dos mais belos sambas de nosso cancioneiro com o título de “Silêncio de um Minuto”.

De uns tempos para cá, andei notando uma certa inconsistência nesse tempinho com que andam reverenciando vítima ou vítimas de morte simples ou complicada.

Na quarta-feira, 5 de janeiro, a União Européia pediu a seus 450 milhões de cidadãos que observassem três minutos de silêncio em sinal de respeito às vítimas da catástrofe causada pelo tsunami na Ásia.

Precisamente ao meio-dia, 450 milhões de cidadãos de 25 nações pararam tudo o que estavam fazendo e, ao menos em teoria, meditaram sobre a tragédia que levou 150 mil vidas e deixou algumas milhões em estado de quase total destituição.

Os três minutos foram respeitados. A generosidade em auxílio humanitário foi pródiga. Também não se discute a propriedade de o mundo dito desenvolvido meditar, momentaneamente que seja, num dos muitos horrores que afligem o mundo em desenvolvimento.

O que muita gente tem se perguntado é pelo critério do tempo gasto em homenagens.

Três minutos de silêncio foram os com que inicialmente, em 1919, aqui mesmo, na Grã-Bretanha, se sugeriu lembrar das vítimas da Primeira Guerra Mundial.

O ministério da Guerra preferiu dois minutos, mas acabou se decidindo por um minuto, após intervenção do rei George V. Não se sabe como esse minuto pegou pelo resto do mundo nas horas de luto simbólico e assaz passageiro.

No entanto, por aqui mesmo, nestas ilhas, quando do enterro de Diana, Princesa de Gales, observou-se o tradicional minuto de silêncio.

Onze de setembro de 2001 mereceu dois minutos de silêncio enquanto o resto da Europa observou três minutos.

Em abril de 2002, a morte da rainha-mãe também foi lembrada durante dois minutos. No dia 5 de julho de 2003, voltou-se ao um minuto quando da bomba em Bali na Indonésia.

Em março do ano passado, a União Européia pediu que todos os países membros observassem três minutos de silêncio em memória das vítimas do atentado contra o trem de Madri.

As lembranças reverentes, infelizmente, continuarão. Resta uma definição criteriosa para sua duração.

Arquivo - Ivan
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