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Da identidade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A novidade por aqui, este ano, ao que parece, vai ser a questão da identidade dos britânicos. Quer dizer, cada um, de per si, sabe muito bem quem é e, mais ou menos, o que faz e onde está. Também não se trata de discussão pretensiosa sobre o fulcro, o âmago de nossa humana existência. Não, não. Isso é lá do outro lado do canal, na França. Identidade é o equivalente ao Cahiers du Cinéma da filosofia gálica. Eles pensam, logo querem se identificar de qualquer maneira, depois da sobremesa e do queijinho. A identidade na Grã-Bretanha é a grande pauta na agenda política. Introduzem ou não a carteirinha de identidade? Britânico (mas podem chamar de inglês se assim preferir identificá-lo) bota logo um pé atrás quando ouve falar em “obrigatório”. A coisa ainda vai ser discutida em Parlamento e Câmara dos Lordes, mas os jornais tacam seus documentos na mesa com seus editoriais identificando (desculpe, jogo de palavras inevitável) os prós e contras da novidade. Eu, ainda brasileiro, por mais incrível que pareça, não estranho a discussão, mas não posso também deixar de me esquecer que, com 5 anos de idade, ou por aí, a autoridade mais próxima – guarda na esquina ou bilheteiro de cinema – já me pedia documento que comprovasse meu nome, filiação, idade, cor dos olhos, sexo e todas essas outras mazelas a que estamos, para o bem ou para o mal, fadados a carregar junto com nossa já dolorosa condição humana. Como tudo por aqui, vai custar para sair uma definição. Até lá, resta regozijar com o que ainda há em matéria de falta de identidade nestas ilhas, onde, de uma forma geral, qualquer conta, carteira de motorista, ou cartão da biblioteca do bairro, servem para nos livrar ou incriminar numa eventualidade um pouco mais chata do que o comum. |
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