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Atualizado às: 20 de dezembro, 2004 - 10h29 GMT (08h29 Brasília)
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Desvirtudes do cartão virtual
Ivan Lessa
Nunca fui de mandar cartão de Natal. Garoto, sim. Nas aulas de trabalhos manuais, ou talvez português, quando este era ensinado, as “fessoras” faziam com que os alunos criassem e escrevessem o cartão para os pais.

Acho que tem ou outro lá em casa sobrando. Danados de feios, mais parecendo bilhetes ameaçadores.

Garotão não manda cartão de Natal. Vai para o bar e deseja pecados abomináveis para e com as mocinhas que passam.

Um dia, há uma árvore no meio da sala, presépio ao lado, uma criança chorando e a mulher – no sentido de esposa, “senhôra” – está nos passando um monte de cartões e dizendo que é para a gente assinar. São os cartões de Natal nossos, o casal em que nos transformamos.

Agora, os cartões de Natal pra valer, batatolina, vão rareando. Tudo culpa do danado do computador. De uns anos para cá, eu tenho recebido tudo (quer dizer, uns dez cartões) pela Internet.

Pelo mesmo veículo tenho enviado os meus. É só ir no Google e, naquela janelinha, digitar “cartões de Natal”. Abrem-se diante de nós umas 40 páginas só oferecendo cartões virtuais. Grande parte deles inteiramente grátis.

Nem dá para se dizer que só faltam falar. Os danados falam. Tocam musiquinha. Viram pra cá e pra lá, fazem o diabo. Perdão. Fazem as reverências divinais propícias à época. José vira os olhos para o alto, Maria junta as mãos em oração, os 3 Reis Magos dançam, um burrinho zurre.

Debaixo da cena, uma janela para você “personalizar” o cartão. Quer dizer, escrever “Feliz Natal e Bom Ano Novo”.

São tristes, como estes dias, principalmente os que tentam ser engraçados, economiza-se em selo e chateiam menos os pobres dos carteiros.

Os comprados em loja também perderam a graça. Há que se ser sincero. Bom mesmo era os feitos com crayon e enfeitados com erros personalíssimos de ortografia. Feliz mesmo tinha que ser com S e não Z.

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