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Atualizado às: 03 de dezembro, 2004 - 11h32 GMT (09h32 Brasília)
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Tombos e deslizes
Ivan Lessa
Foi com imensa alegria que fiquei sabendo que, no Brasil, na quarta-feira, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan – nome de aspecto e sonoridade galesa, por sinal – andou tombando uma porção de coisas. Desta vez, ligadas à nossa Bahia, que teve seu agá justamente tombado há algumas décadas atrás.

Creio que os tombamentos tiveram muito a ver com a atuação sempre impecável de nosso ministro da Cultura, Gilberto Gil. Tombados foram os bolinhos de acarajé, as atividades daquelas senhoras baianas que os vendem foram não só reconhecidas como também regulamentadas como profissão.

Quatro mil baianas, com aquele uniforme muito branco e seus tabuleiros de acarajé, já podem sem susto vender suas guloseimas. Ou só é válida a venda do acarajé? Desconheço os detalhes. Gostaria de melhor conhecê-los. Nós somos engraçados na hora e nos detalhes em que menos se espera.

O Iphan, na mesma ocasião, já que estava tomado por animados caboclos tombadores, resolveu, conforme a definição original da medida, colocar sob sua guarda, ou seja o Estado, mais um bem móvel – ou talvez imóvel – de valor histórico, arqueológico, etnográfico, artístico e paisagístico – de interesse público baiano e nacional: tombou o Terreiro de Candomblé Ilê Maroiá Láji, de Olga de Aleketu, em Brotas.

Sem violão, mas armado de pasta e notebook ministerial, Gilberto Gil declarou que "as decisões foram fundamentais para a preservação da cultura e da identidade baianas". A tramitação do tombamento do terreiro ficou três anos em estado burocrático.

Aqui, numa Londres que, para meu gosto, vem mudando excessivamente, gostaria que se tombasse mais – coisas e gentes. O doner kebab de Earl's Court Road, por exemplo, e o iraniano que o vende. Aqueles senhores de calça listrada e chapéu-coco que trabalhavam na City. Todo e qualquer pub que tenha passado a virar restaurante temático.

E aí já me vejo tomado por um hipotético caboclo-tombador que, é pena, não viajou com a brasileirada toda que aqui se encontra aproveitando o dólar barato – e que o tombem também, se possível.

Arquivo - Ivan
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