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Videosalvando | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O vídeo apagou velinhas esta semana. A nomenclatura já me deixa meio confuso. Sei que, no Brasil, tanto o aparelho que abocanha as fitas, quanto estas últimas, são ambos cognominados vídeo. Mesmo errado, mas para efeito de papo, passo a chamar de videogravador e de videocassete. Já li artigos e mais artigos sobre o falecimento do – facilitemos – sistema. Porque agora tudo é DVD e o futuro é digital, tocando, gravando, seja lá o que for. E toca a tacar o pau no esquema chamado de VHS (Video Home System) que, lá pelo início dos anos 80, acabou ganhando do Betamax. Eu só aluguei o primeiro videogravador em janeiro de 1982. Friso: aluguei. Achava que saía mais barato, uma vez que qualquer confusão (e como havia) era só ligar para a companhia que me alugara. O tempo, pelo menos por uns dez anos, me provou correto. Gravando No início, desandei a gravar tudo quanto é filme, short e desenho animado. Estávamos na era que precedia a TV a cabo, as transmissoras eram apenas quatro, e, principalmente nos dois canais da BBC, levavam filme que não acabava mais. Inclusive legendados, ou seja, estrangeiros, que, hoje em dia, isso é cada vez mais difícil. Com o tempo, montei o que na minha opinião constitui uma mais do que razoável filmoteca, ganhando de muitas que se gabam de retrospectivas de fulano ou sicrano. Gastando apenas o dinheiro para a fita virgem, montei o que me interessava em matéria de Hitchcock, Orson Welles, John Ford e até mesmo Buñuel, Ingmar Bergman e Fellini, sem falar nos desenhos animados da Warner. Claro, as cópias, em geral, estavam estalando de novas e assim continuam. É, de vez em quando eu vou lá dar uma conferida. Quero saber se o negócio desgastou, virou pó, sei lá. De jeito nenhum. Tá tudo lá, melhor do que as cópias que eu vi das terceiras filas dos poeiras Pirajá ou Americano, no Rio. E tem brinde. Às vezes, entre um filme e outro, eu deixava, de propósito, uma notícia, um fiapo qualquer de tempo televisivo que se foi. O importante era não ter importância nenhuma. Apenas o fato de ter passado. Venham com DVD, digitalizem tudo que quiser. Meu vídeo, meus vídeos seguirão impávidos em frente. Ou para trás. Por aí. |
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