|
O Estado babá | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Outro dia mesmo, eu estava falando da crise provocada nestas ilhas pela falta de banha de porco neste Natal. Verifica-se, ao que parece, um racionamento que leva os mais velhos (entre os quais não me incluo) aos tempos da Segunda Guerra Mundial. Simultaneamente, o governo pretende lançar uma série de medidas destinadas a combater outras misérias que não faziam parte das ofensivas das forças do Eixo há mais de 60 anos. Foi decretada guerra total – blitzkrieg! – contra a obesidade, o fumo, o álcool e o ócio. Consta que destes malefícios o maior é a obesidade. Veio a paz, ao menos com a Alemanha, a Itália e o Japão, a superamizade com os primos em primeiro grau, os Estados Unidos, e os ingleses que fizeram nesse tempo? Engordaram. Engordaram como os porquinhos que a contragosto cederam suas gorduras para a tal da odiosa banha. Sem junk food Há que emagrecer, britânicos, há que emagrecer! Assim teria início um daqueles discursos antológicos de Winston Churchill nos dias de hoje. O governo pretende legislar contra aquilo que, pitorescamente, em inglês oriundo dos amigos de coalizão, os Estados Unidos, é vulgarmente conhecido como junk food, ou seja, literalmente, comida lixo. Exato. Hambúrguer, cachorro-quente, refrigerantes, batatas fritas (aquelas em saquinho, não as que vêm com o bife), barras de chocolate. Tendo um pouquinho mais de açúcar, sal ou gorduras, é lixo, pau nela. A primeira providência é simples, para não dizer simplória: todos os comerciais desse tipo de guloseima ficam condenados à exibição apenas no propalado “horário nobre”, ou seja, depois das 21h. Co´os diabos! Pelas barbas do profeta! Rigor é isso aí. Tem mais: como na velha piada (“eu vou contar até 10 mil para você!”… e coisa e tal), a indústria tem até 2007 para impor suas próprias restrições. A ameaça deu certo. Nos jornais, leio que foi lançado com sucesso no mercado o Fit-Fur-Life, uma esteira para o au-au de messiê ou de madame se exercitarem sem irem à rua onde, por certo, meninos gordinhos (“Fala, Banha Rosa!”) os esperam com pedras na mão. Viver é emagrecer, cunho o slogan e me mando. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||